Casa Branca abre refúgio de vida selvagem no Alasca à exploração de petróleo e gás

O governo norte-americano aprovou um pacote de medidas que visam expandir a exploração de combustíveis fósseis no Alasca, incluindo numa área protegida que serve de refúgio para a vida selvagem do Ártico.

Filipe Pimentel Rações

O governo norte-americano aprovou na passada quinta-feira um pacote de medidas que visam expandir a exploração de combustíveis fósseis no Alasca, incluindo numa área protegida que serve de refúgio para a vida selvagem do Ártico.

Em comunicado, o Departamento do Interior dos Estados Unidos da América (EUA) informa que vai reabrir a planície costeira do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico, que diz conter “algumas das fontes de energia inexploradas mais promissoras” de todo o país e que são fundamentais para “fortalecer a segurança energética nacional”.

O plano é permitir a exploração de combustíveis fósseis numa área de cerca de seis mil quilómetros quadrados, numa região que, de acordo com a autoridade de pescas e vida selvagem dos EUA (FWS), é “uma vasta paisagem de ricas tradições culturais e de diversidade ecológica prosperante”.

Com perto de 76 mil quilómetros quadrados, “o refúgio não tem estradas em infraestruturas. As terras e águas são um habitat crítico para animais selvagens migradores e residentes”, diz a FWS, acrescentando que “o refúgio é parte do nosso património nacional, designado para a conservação da vida selvagem”, que inclui ursos polares, negros e pardos, caribus, lobos e centenas de aves.

Em reação ao anúncio, a organização de conservação e proteção da vida selvagem do Alasca, a Alaska Wilderness League, condena a decisão do governo liderado por Donald Trump, alertando que essa região está à sofrer um “ataque implacável”.

“Abrir toda a planície costeira do Refúgio Ártico à [exploração de combustíveis fósseis] destruiria uma das paisagens mais ecologicamente importante da Terra”, diz, em comunicado, Kristen Miller, diretora-executiva da organização.

O anúncio da Casa Branca surge cerca de duas semanas depois de o governo ter informado que aprovou o chamado “Ambler Road Project”, um projeto que prevê a criação de uma estrada com mais de 300 quilómetros que atravessará o Alasca e que permitirá o acesso a minerais para, alegadamente, reforçar o domínio energético global dos Estados Unidos da América.

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