Cientista da Tasmânia integra missão da NASA para monitorizar gelo com lasers espaciais

Previsto para ser lançado não antes de 2030, o satélite EDGE utilizará uma nova geração de altímetros laser capazes de medir a altura das superfícies terrestres em faixas de 120 metros de largura à volta do globo. O sistema permitirá uma cobertura mais extensa e uma resolução superior às de todas as missões anteriores combinadas.

Redação

Um investigador da Universidade da Tasmânia (UTAS) integra uma nova missão por satélite da NASA destinada a melhorar significativamente a monitorização global da terra, do mar e do gelo, recorrendo a tecnologia laser de última geração.

A NASA anunciou, a 5 de Fevereiro, que o programa Earth Dynamics Geodetic Explorer (EDGE) foi selecionado para continuar a sua fase de desenvolvimento. A missão, liderada pela Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia em San Diego, conta com a colaboração de Alex Fraser, cientista especializado em gelo marinho e membro da Australian Antarctic Program Partnership (AAPP) na UTAS.

Previsto para ser lançado não antes de 2030, o satélite EDGE utilizará uma nova geração de altímetros laser capazes de medir a altura das superfícies terrestres em faixas de 120 metros de largura à volta do globo. O sistema permitirá uma cobertura mais extensa e uma resolução superior às de todas as missões anteriores combinadas.

Segundo Alex Fraser, o EDGE será o primeiro sistema de altimetria laser espacial concebido para monitorizar simultaneamente os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas terrestres e no gelo.

“O meu trabalho centra-se em acompanhar a evolução da cobertura de gelo marinho em torno da Antártida à medida que o aquecimento global se intensifica, e este satélite vai revolucionar esse tipo de investigação”, afirma, citado em comunicado.

O investigador integra uma equipa internacional que irá utilizar o EDGE para medir, com elevado detalhe, a altura das superfícies dinâmicas da Terra — desde fissuras cada vez mais profundas nos glaciares antárticos até à altura do dossel da floresta amazónica.

“O satélite será capaz de medir diferenças verticais com uma precisão inferior a três centímetros, a partir de uma órbita a cerca de 390 quilómetros da superfície terrestre”, explica Fraser.

O novo instrumento contará com 40 feixes laser, um avanço significativo face aos seis feixes utilizados pelo atual altímetro da missão ICESat-2 da NASA, em funcionamento desde 2018.

De acordo com o cientista, o EDGE permitirá avanços importantes na investigação do gelo marinho, incluindo:

  • a análise do papel das ondas oceânicas na acentuada perda de gelo marinho na Antártida observada na última década;

  • a monitorização da espessura e do tamanho dos blocos de gelo com um nível de detalhe sem precedentes;

  • a continuação da série histórica de medições de gelo marinho por altimetria laser iniciada com o ICESat-2.

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