Cientistas portugueses contribuem para reforçar monitorização da vida selvagem na Europa

De vários países, incluindo Portugal, os cientistas propõem a criação de uma Rede de Observação da Biodiversidade europeia, que permita unificar a monitorização de espécies e ecossistemas em toda a Europa, desde o código genético até à saúde de florestas e oceanos.

Redação

Um grupo de investigadores de vários países da Europa, incluindo de Portugal, diz que os governos da região carecem ainda de dados “robustos e consistentes” que ajudem a tomar a tomar as decisões mais corretas e eficazes sobre a conservação da biodiversidade.

Num artigo publicado recentemente na revista ‘Nature Reviews Biodiversity’, os cientistas propõem a criação de uma Rede de Observação da Biodiversidade europeia, que permita unificar a monitorização de espécies e ecossistemas em toda a Europa, desde o código genético até à saúde de florestas e oceanos.

Do lado de Portugal, fazem parte da equipa que assina este estudo membros do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto, do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e do Laboratório Associado TERRA.

Naquilo que descrevem como sendo um “novo roteiro para a monitorização da biodiversidade na Europa”, os cientistas salientam a importância das tecnologias digitais, da análise de ADN e da governação integrada no estudo e acompanhamento da vida selvagem.

Mais concretamente, este roteiro identifica 84 Variáveis Essenciais de Biodiversidade (EBVs) que constituem a base deste sistema harmonizado. Essas variáveis funcionam como uma lista de verificação padronizada que permite medir, de forma coerente, a abundância de aves, a fenologia de insetos, a extensão de pradarias marinhas e a diversidade genética em todo o território europeu.

Daniel Kissling, da Universidade de Amesterdão e primeiro autor do artigo, explica que “a nossa proposta oferece um plano para a Europa corrigir os seus sistemas de monitorização fragmentados e desconexos”.

Por seu lado, Pedro Beja, do CIBIO, refere, em comunicado, que “a monitorização da biodiversidade é essencial para medir tendências com rigor e comparar resultados entre regiões e países, sobretudo numa altura de perda acelerada de biodiversidade e de degradação dos ecossistemas e dos serviços que prestam às pessoas”.

Salienta o investigador português que “Este trabalho é importante porque ajuda a criar uma abordagem comum, consistente e útil para apoiar decisões e políticas públicas”.

Além da criação da rede, os cientistas sugerem também a criação do Centro Europeu de Coordenação da Observação da Biodiversidade, que funcionaria, explicam os proponentes, como um polo central para harmonizar os métodos de recolha de dados entre os países, garantir a transparência na governação dos dados e alinhar a monitorização às necessidades políticas da União Europeia.

Esta nova estratégia europeia assenta na combinação de tecnologias de ponta com a habilidade humana. Entre os quatro principais pilares tecnológicos sobre os assenta o roteiro, estão, por exemplo, os Sensores Digitais Automatizados, como gravadores acústicos para aves e câmaras de vida selvagem.

Os autores deste artigo sugerem também usar a Inteligência Artificial para o “reconhecimento automático de espécies e o processamento de dados em massa”; o ADN Ambiental (ou eDNA) para “deteção de comunidades biológicas a partir de amostras de água, solo ou ar”; e a Deteção Remota, através da “utilização de satélites (como o programa Copernicus), drones e aviões para observar habitats em escala continental”.

Apesar desta grande componente tecnológica, a equipa sublinha que os cientistas-cidadãos e os especialistas em taxonomia continuam a ser o pilar do sistema, fornecendo observações essenciais que a tecnologia apenas vem complementar e tornar mais escaláveis.

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