Clima: Movimento para as energias limpas é imparável

O responsável da ONU para as alterações climáticas, Simon Stiell, defendeu hoje como imparável o movimento mundial para as energias limpas, uma questão económica acima de tudo.

Green Savers com Lusa

O responsável da ONU para as alterações climáticas, Simon Stiell, defendeu hoje como imparável o movimento mundial para as energias limpas, uma questão económica acima de tudo.

Acima de todos os fatores, a mudança para a energia limpa “agora é imparável: por causa da escala colossal de oportunidade económica que ela apresenta”, disse hoje em Brasília, onde se reuniu com André Corrêa do Lago, presidente da COP30, a próxima reunião da ONU sobre o clima, que se realiza na cidade de Belém, Pará, Brasil.

Simon Stiell é o secretário executivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC na sigla original) e falava no Instituto Rio Branco, em Brasília, naquele que foi o primeiro discurso de 2025, após reuniões sobre a próxima reunião da ONU das alterações climáticas.

Num discurso otimista o responsável recordou que há 10 anos foi assinado o Acordo de Paris sobre o clima, no qual 195 países concordaram em tudo fazer para impedir o aumento das temperaturas globais acima de 2ºC (dois graus celsius) em relação à época pré-industrial, e de preferência menos de 1,5ºC.

Sem a cooperação climática global “estaríamos caminhando para até 5ºC de aquecimento global, uma sentença de morte para a humanidade como a conhecemos”, estando agora a caminho dos 3ºC, “o que ainda é perigosamente alto”.

Mas, acrescentou: “felizmente já entramos numa nova era”, relacionada com as oportunidades económicas.

“Porque quando dois biliões de dólares fluem para energia limpa e infraestruturas em apenas um ano, como aconteceu no ano passado, você pode ter certeza de que não é sinalização de virtude. Isso é o dobro do que em combustíveis fósseis. Os investidores sabem que a energia limpa faz muito mais sentido. A oportunidade de ganhar dinheiro é simplesmente grande demais para ser ignorada”, afirmou.

E se um país recua outro toma o seu lugar, para recolher as enormes recompensas, o crescimento económico mais forte, mais empregos, menos poluição e custos de saúde muito mais baixos, e energia mais segura e acessível, disse.

É um movimento, afirmou, em velocidades ainda diferentes, deixando de fora economias mais frágeis. Mas o “boom” atual pode expandir-se muito rapidamente e não só para as energias renováveis.

Segundo Simon Stiell “várias economias importantes” já apresentaram os seus planos climáticos nacionais (NDC, na sigla original) com sinais de que estão a intensificar a ação climática, tornando as suas economias e sociedades mais fortes.

Esses planos “estão entre os documentos de política mais importantes que os governos produzirão neste século”, advertiu.

No discurso, o responsável repetiu que cada dólar investido em adaptação às alterações climáticas vale seis em contas de perdas e danos evitados e “o financiamento climático não é caridade”.

“É crucial para proteger as cadeias de suprimentos globais de desastres climáticos em espiral que estão alimentando pressões inflacionárias”, como secas, cheias e incêndios que estão a aumentar o preço dos alimentos.

Mas também, acrescentou, porque salva vidas. E se os mais vulneráveis são os mais atingidos, em cujos países as pessoas têm 15 vezes mais probabilidades de morrer devido a desastres climáticos, “ninguém está seguro, em nenhum país ou em nenhuma parte do espetro de rendimentos”. Os ricos investidores de Los Angeles perderam as casas nos recentes incêndios, exemplificou.

Recordando a meta global de financiamento anual aprovada na última reunião do clima, em Baku, de 300 mil milhões de dólares, Simon Stiell disse que o valor é insuficiente mas é um ponto de partida e disse que são essenciais mais fluxos financeiros para os países em desenvolvimento.

Afirmando que reorientar o sistema financeiro internacional não é fácil e que nenhuma COP entrega tudo o que cada país deseja, o responsável da ONU admitiu que nem todos os compromissos do Acordo de Paris foram cumpridos, mas frisou que os próximos dez anos serão essenciais.

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