Investigadores da Swinburne University of Technology, na Austrália, desenvolveram uma técnica inovadora que transforma colchões antigos e indesejados em materiais de isolamento de construção seguros e sustentáveis, recorrendo a fungos.
O estudo, publicado na revista Nature Scientific Reports, mostra como uma equipa combinou um fungo comum com espuma de colchão desfiada, criando um novo material leve e sólido, adequado para isolamento térmico.
Segundo os autores, os colchões são um dos itens domésticos mais difíceis de reciclar, devido à sua durabilidade e volume, acabando frequentemente em aterros. “Através de processos biológicos naturais, podemos dar uma segunda vida a este tipo de resíduos”, explica o investigador de engenharia The Hong Phong (Peter) Nguyen.
O processo utiliza raízes fúngicas que se ligam ao material, formando compostos minerais naturais capazes de resistir a temperaturas próximas dos 1.000 °C. O material resultante demonstrou desempenho térmico comparável a produtos de isolamento comercial, tornando-o uma alternativa ambientalmente responsável.
De acordo com Tracey Pryor, Diretora de Inovação do Australian Bedding Stewardship Council, que cofinanciou a investigação, 1,8 milhões de colchões são descartados anualmente na Austrália, dos quais 740 mil acabam em aterros, correspondendo a cerca de 22 mil toneladas de resíduos que podem levar até 120 anos a decompor-se.
Os investigadores acreditam que, com desenvolvimentos futuros, o material à base de fungos poderá também ser utilizado como isolamento resistente ao fogo, painéis de construção ou mesmo elementos estruturais para impressão 3D.
“Este trabalho demonstra como a combinação de biologia e resíduos, aliada à ciência avançada de materiais, pode gerar soluções inteligentes e de baixo impacto, que beneficiam o ambiente e a vida das pessoas”, conclui Nguyen.









