Construir com impacto positivo: da pegada de carbono à pegada de futuro
Por Roberto Teixeira, CEO da Ownest
A construção do amanhã não se mede apenas em metros quadrados, mas na forma como deixamos o planeta habitar o futuro connosco.
Durante décadas, o setor da construção evoluiu a um ritmo impressionante, mas nem sempre sustentável. Hoje, sabemos que este é um dos setores com maior impacto ambiental, responsável por cerca de 40% das emissões globais de CO₂ e por uma parte significativa do consumo de recursos naturais. O desafio é muito claro: temos de construir melhor, de forma mais leve para o planeta e mais inteligente para todos nós que o habitamos.
Construir com impacto positivo é, na minha opinião, repensar a própria noção de progresso. A inovação não está apenas nas soluções tecnológicas, mas na mudança de mentalidade, ou seja, pensar cada edifício como parte de um ecossistema vivo, em equilíbrio com o ambiente.
O conceito de “pegada de carbono” ganhou palco porque traduz, de forma simples, o rasto que as nossas ações deixam no planeta. No caso da construção, este rasto é particularmente pesado quando se utilizam materiais convencionais e processos demorados e poluentes. Por isso, novas abordagens construtivas, como os sistemas industrializados e leves, o Light Steel Framing (LSF), permitem reduzir drasticamente o desperdício em obra, o consumo de água e o tempo de construção. São soluções mais limpas, precisas e eficientes, que promovem edifícios energeticamente mais sustentáveis, com maior durabilidade e facilmente recicláveis. Cada componente é pensado para encaixar com o mínimo de impacto e o máximo de desempenho, conciliando conforto, estética e responsabilidade ambiental.
Durante muito tempo, sustentabilidade foi sinónimo de “fazer menos mal”. Hoje, é tempo de fazer melhor. A construção deve ser uma força regenerativa: criar valor ambiental, social e económico. Pois, ao adotar soluções mais sustentáveis e eficientes, damos um passo além da neutralidade de carbono e aproximamo-nos daquilo que se pode chamar uma pegada de futuro positiva, onde cada edifício é pensado para devolver ao planeta mais do que retira. Construir com impacto positivo é também construir comunidades, isto é, espaços que promovem bem-estar, eficiência energética e ligação entre as pessoas.
Sem qualquer dúvida, que o futuro da habitação será definido pelas escolhas que fazemos hoje. A inovação tecnológica, a eficiência energética e a consciência ambiental deixaram de ser opções, são imperativos éticos e económicos, onde cada projeto é uma oportunidade de provar que o desenvolvimento pode ser sinónimo de respeito — pelo tempo, pelos recursos e pelo planeta.
