Cor-de-rosa e faz casa para caranguejos-eremitas: Nova espécie de anémona-do-mar descoberta nas profundezas marinhas do Japão



Uma nova espécie de anémona-do-mar foi encontrada nas águas do Pacífico ao largo da costa do Japão, no leito marinho, a centenas metros abaixo da superfície.

Com uma tonalidade pálida de rosa, foi batizada com o nome científico Paracalliactis tsukisome e, ao contrário de outras anémonas-do-mar, que não têm concha ou qualquer tipo de esqueleto, produz uma substância que lhe permite construir uma estrutura dura semelhante a uma concha. Essa estrutura é usada por caranguejos-eremitas como casa.

Aliás, foi precisamente nas conchas usadas pelos caranguejos-eremitas da espécie Oncopagurus monstrosus que a nova anémona-do-mar foi encontrada, entre os 200 e os 500 metros de profundidade. Num artigo publicado na revista ‘Royal Society Open Science’, os investigadores dizem que a substância produzida pela anémona reforça e expande a concha usada pelo anfitrião.

Anémonas Paracalliactis tsukisome a viverem em simbiose com caranguejos-eremitas. Fotos: Yoshikawa et al., 2025, Royal Society Open Science.

Assim, estabelece-se o que é conhecida como relação mutualista, um tipo de simbiose em que ambas as espécies beneficiam. Se por um lado ajuda a fortalecer e a aumentar a casa do caranguejo-eremita, que pode assim crescer mais do que outros, a anémona, por sua vez, adquire um modo de transporte e alimenta-se dos dejetos produzidos pelo caranguejo e de outras partículas em suspensão na água.

Estas anémonas são capazes de criar conchas semelhantes às dos caracóis, algo que surpreendeu os cientistas, uma vez que esses animais são radialmente simétricos, ou seja, os seus corpos não têm divisões como dianteira e traseira, ou lados esquerdo e direito. Por isso, os autores do artigo acreditam que a criação dessas estruturas é resultado de uma evolução de longa-data a par dos caranguejos-eremitas que as usam como abrigo.

O nome científico da espécie, tsukisome, foi inspirado pela mais antiga antologia poética japonesa, datada do século VIII, pois é uma palavra que se refere ao amor e à delicadeza, algo que os cientistas dizem adequar-se muito bem à anémona, devido à sua cor e à parceria que estabelece com os caranguejos-eremitas.






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