Apesar de “progressos recorde” em 2024, o mundo continua aquém dos objetivos traçados para triplicar a capacidade instalada das energias renováveis até 2030.
A revelação é feita num relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), da Presidência brasileira da COP30 e da Aliança Global das Renováveis, divulgado esta terça-feira. No documento, os especialistas dizem que a adição de uns “sem precedentes” 582 gigawatts (GW) de capacidade global das renováveis no ano passado não é um ritmo que seja suficiente para que se possa chegar à meta de 11,2 terawatts (TW) até ao final da década.
Esse foi um compromisso assumido pelos governos do mundo na 28.ª cimeira global das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP28), realizada em 2023 nos Emirados Árabes Unidos.
Assim sendo, e dado o atraso registado no aumento da capacidade a nível global, o relatório aponta que para chegar a esse objetivo será preciso adicionar todos os anos 1.122 GW de capacidade durante os próximos cinco anos.
A análise destaca ainda que a eficiência energética está também aquém do desejado, com uma melhoria de apenas 1% em 2024, face aos 4% que são precisos para alcançar as metas definidas na COP28 e para manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 graus Celsius.
Nesse cenário, o relatório apela aos governos do mundo para incluírem as metas das renováveis nos seus respetivos planos climáticos nacionais antes da COP30, em novembro deste ano, para duplicarem a ambição dessas estratégias e para, a nível global, aumentarem o investimento em renováveis para pelo menos 1,4 biliões de dólares por ano entre 2025 e 2030, mais do dobro dos 624 mil milhões investidos em 2024.
Apesar dos atrasos, Francesco La Camera, Diretor-geral da IRENA, diz à agência Reuters que a meta global das renováveis ainda é alcançável, afirmando que está prevista uma adição de aproximadamente 700 GW de capacidade até ao final deste ano.









