Investigadores alertam que os custos causados pelos impactos das alterações climáticas estão a deixar de fora uma parte central do problema: os mares e oceanos.
Liderado pela Instituição Oceanográfica Scripps, da Universidade da Califórnia em San Diego, o trabalho é descrito pelos seus autores como o primeiro a integrar os danos climáticos aos mundos marinhos no cálculo do custo social do carbono. Essa é uma medida usada para estimar a soma de todos os custos – ambientais, económicos e sociais – provocados pelos impactos causados pelas emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. Basicamente, converte em custos mensuráveis os impactos das alterações climáticas nas vidas de todos.
No entanto, o foco tem estado quase exclusivamente centrado em terra, escondendo uma parte fundamental desses custos. Num artigo publicado recentemente na revista ‘Nature Climate Change’, os cientistas revelam que quando se equaciona a dimensão “azul”, até agora largamente ignorada, o custo global das emissões de dióxido de carbono para a sociedade quase duplica.
Essa desconsideração, dizem, acontece mesmo numa altura em que estão bem documentados a degradação dos recifes de coral e dos seus ecossistemas, as perdas nas pescas por alterações das condições ambientais e os danos causados a infraestruturas costeiras resultantes de eventos extremos.
Bernardo Bastien Olvera, primeiro autor do estudo, se não se puser uma “etiqueta com preço” nos danos que as alterações climáticas estão a provocar nos oceanos, esses impactos continuarão a ser “invisíveis” para os decisores políticos.
“Até agora, muitas dessas variáveis no oceano não têm tido valor de mercado, pelo que têm estado ausentes dos cálculos”, salienta, acrescentando que este estudo é o primeiro a atribuir valores de equivalência monetária a esses “impactos oceanos negligenciados”.
A equipa calcula que, sem os impactos no oceano, o custo social do carbono cifra-se nos cerca de 43 euros por cada tonelada de dióxido de carbono que é lançada na atmosfera. Incluindo a dimensão “azul”, esse valor salta quase para os 82 euros por tonelada, quase o dobro.
A título de exemplo, os investigadores dizem que em 2024 foram emitidas, a nível mundial, cerca de 41,6 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, o que, de acordo com as estimativas, significa quase dois biliões de euros em danos relacionados com o impacto das alterações climáticas no oceano num ano de emissões.
O custo social do carbono incluindo os oceanos é desigual, pois, avança a investigação, as ilhas e as economias mais pequenas são as mais afetadas. Isto, porque essas populações estão mais dependentes de recursos marinhos para obterem alimento e, por isso, mais expostas a riscos de saúde, como a má nutrição, uma vez que águas marinhas mais quentes resultam, por exemplo, em peixes menos nutritivos.









