A descoberta de sete chitas naturalmente mumificadas em grutas no norte da Arábia Saudita está a renovar as expectativas quanto à possível reintrodução da espécie na Península Arábica. O achado, divulgado na revista científica Communications Earth & Environment, indica que pelo menos duas subespécies destes grandes felinos habitaram a região antes da sua extinção local.
As chitas (Acinonyx jubatus) ocuparam outrora vastas áreas de África, da Ásia Ocidental e do Sul, mas hoje sobrevivem em apenas cerca de 9% da sua distribuição histórica. Na Ásia, o declínio é ainda mais acentuado, com uma redução estimada de 98%. Na Península Arábica, acredita-se que a espécie esteja extinta desde a década de 1970.
Até agora, pensava-se que apenas a chita asiática (Acinonyx jubatus venaticus) tivesse vivido na Arábia Saudita. No entanto, esta subespécie encontra-se em perigo crítico, com apenas uma pequena população selvagem conhecida, restrita ao Irão, o que tem alimentado dúvidas sobre a viabilidade de programas de reintrodução.
A equipa liderada por Ahmed Boug identificou, entre 2022 e 2023, sete chitas mumificadas de forma natural e os restos esqueléticos de mais 54 indivíduos em cinco grutas perto da cidade de Arar. A datação de alguns dos vestígios indica que os mais antigos têm cerca de 4.000 anos, enquanto os exemplares mumificados remontam a aproximadamente 1.870 e 130 anos.
Os investigadores conseguiram ainda extrair sequências completas do genoma de três dos exemplares mumificados, um feito inédito em grandes felinos preservados naturalmente. A análise genética revelou que o espécime mais recente é próximo da chita asiática, mas os dois exemplares mais antigos — incluindo o mais antigo datado — apresentam maior semelhança com a chita do Noroeste Africano (Acinonyx jubatus hecki).
Segundo os autores, estes resultados demonstram que subespécies diferentes da chita asiática poderão ser consideradas em futuros esforços de reintrodução na Arábia Saudita. A existência de uma maior diversidade genética histórica poderá tornar os programas de rewilding mais viáveis. O estudo sugere ainda que a análise de ADN antigo, a partir de exemplares semelhantes, pode desempenhar um papel decisivo no planeamento da reintrodução de outras espécies extintas localmente.









