Ao largo da praia de Sant Andreu de Llavaneres, em Espanha, na costa noroeste do Mediterrâneo, um grupo de cientistas descobriu uma nova espécie de fungo marinho que é capaz de matar uma alga conhecida por formar grandes manchas que são tóxicas para os humanos.
Batizada com o nome científico Algophthora mediterranea, a espécie é um tipo microscópico de fungo quitrídio, um grupo de fungos aquáticos muito diverso, e os seus descobridores dizem que pode ter um papel muito mais importante do que se pensava nos ecossistemas marinhos.
Num artigo publicado na revista ‘Mycologia’, os investigadores da Universidade Nacional de (Japão) e do Instituto de Ciências do Mar, parte do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha, dizem ter percebido que o A. mediterranea é um “parasita destruidor” de microalgas da espécie Ostreopsis ovata.
À medida que os mares aquecem, fruto do aquecimento global provocado pelas atividades poluentes humanas, “explosões” de microalgas tornam-se mais frequentes. O fenómeno pode também ser causado pelo excesso de nutrientes em zonas costeiras resultantes de descargas de águas residuais.
Além de afetarem negativamente os ecossistemas, essas “explosões” podem também afetar humanos e outros animais. A O. ovata produz uma toxina que na nossa espécie provoca corrimento nasal, tosse, falta de ar, conjuntivite, comichão e dermatite.
Através de amostras recolhidas em julho de 2021, os cientistas concluíram que se trata não só de uma nova espécie de fungo, mas também de um novo género. O fungo foi encontrado dentro das células da alga O. ovata, matando-as em poucos dias.

Em laboratório, descobriu-se que o fungo é capaz também de infetar outras espécies de algas e até de se alimentar de grãos de pólen.
“Embora estudos anteriores baseados em ADN tenham revelado uma ampla diversidade de fungos marinhos, apenas poucas espécies parasíticas foram isoladas e a sua ecologia tem permanecido, em grande parte, desconhecida”, diz Núria Pou-Solà, primeira autora do estudo.
A cientista explica que a nova espécie de fungo destaca-se das demais por “uma gama de hospedeiros invulgarmente ampla” e pela sua “notável estratégia de alimentação”, o que considera ser prova de que “alguns fungos quitrídios têm uma incrível resiliência ecológica”.

Os próximos passos da equipa são tentar aprofundar o conhecimento sobre a ecologia do novo fungo e como ele contribui para os processos biogeoquímicos do oceano, uma função de ecossistema que, aponta Maiko Kagamani, principal coautora do artigo, “tem sido amplamente ignorada até agora”.









