Pelo menos 17 cidadãos malauianos foram detidos por permanência ilegal no país e suspeitas de exploração ilegal de madeira e ouro no distrito de Chimbonila, província de Niassa, norte de Moçambique, disse ontem o diretor provincial de migração.
“Dizer que, na verdade, o número era 36, o total, nós quando fizemos a nossa triagem, acabámos dispensando os demais porque os outros são cidadãos nacionais. (…) Dessa triagem, resultou, na verdade, em apenas 17 cidadãos malauianos, todos eles em situação ilegal. Temos 16 homens e uma mulher, todos eles estão aqui retidos”, disse Fernando Armando, diretor do Serviço Nacional de Migração (Senami) em Niassa, citado pela comunicação social.
O responsável da migração explicou ainda que a detenção dos estrangeiros, ocorrida no sábado, resultou de uma denúncia feita por populares, da zona de Macassangilo, no distrito de Chimbonila, onde os suspeitos realizavam ilegalmente atividades de exploração de recursos nacionais, além do cultivo de culturas na região.
“Nesta região encontravam-se, aliás, muitos cidadãos estrangeiros que estavam lá a fazer a exploração da madeira e de ouro, também faziam a abertura de machamba [cultivo de terra]. Como estamos a ver, estão aqui os cidadãos estrangeiros, conseguimos interpelá-los”, disse Fernando Armando, referindo que os 17 malauianos têm a documentação com validade expirada.
“Temos dois com passaporte e temos três com certificado de emergência de Maláui, todos expirados, e os demais, todos eles entraram por meio da violação da fronteira”, acrescentou o responsável.
O diretor provincial de migração em Niassa garantiu ainda que se vai “redobrar” a fiscalização fronteiriça, visando impedir “muitas entradas ilegais” em todos os distritos fronteiriços daquela província moçambicana, sobretudo nas proximidades dos países vizinhos Tanzânia e Maláui.
“Em Nipepe temos informações que estão lá cidadãos estrangeiros de nacionalidade chinesa, como todos nós sabemos. Também queremos saber qual é a situação de legalidade desses chineses”, referiu Fernando Armando.
O diretor da migração em Niassa apelou para que os cidadãos continuem a denunciar a existência de estrangeiros no território nacional, alertando para a exploração de recursos minerais como a intenção dos imigrantes no país.
“O cidadão estrangeiro, quando entra no país, ele tem uma intenção. A intenção é de ter alguma coisa e sabemos muito bem que o país tem muitos recursos minerais (…) e esses cidadãos estão entrando no país para explorar esses recursos e precisamos nós de prestar muita atenção em defendermos a nossa soberania”, acrescentou Fernando Armando, que também reconhece apoio material do Governo moçambicano e da Polícia da República de Moçambique nos trabalhos de identificação e neutralização dos ilegais.
Em setembro do ano passado, o então Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, manifestou preocupação com o número crescente de imigrantes ilegais no país, com maior enfoque para a província central de Tete.
Nos últimos cinco anos, as autoridades migratórias do país registaram 8.868 imigrantes ilegais, incluindo 6.6780 malauianos, 1.125 etíopes, 151 congoleses, 278 paquistaneses, 106 bengalis, 82 burundeses, entre outros.
Nyusi explicou que parte dos imigrantes ilegais, que tem como destino final Moçambique, não reúne requisitos para a sua permanência no território nacional.









