Esta segunda-feira assinala-se o Dia Internacional da Energia Limpa, uma efeméride criada em 2023 pela Assembleia Geral das Nações Unidas para sensibilizar e mobilizar o mundo para uma transição energética justa e inclusiva, que beneficie pessoas e o planeta.
Numa mensagem sobre este dia, António Guterres diz que “podemos sentir o mundo a mudar, mas temos de acelerar o passo”.
O secretário-geral das Nações Unidas salienta que as renováveis são a chave para a transição para lá dos combustíveis fósseis e energias poluentes que permitirá travar o aquecimento do planeta. Além disso, aponta que são a fonte de energia mais barata em muitas partes do mundo.
Lembrando que em 2025 as energias solar e eólica ultrapassaram o carvão pela primeira vez como fonte de eletricidade a nível global, Guterres salienta, ainda assim, que “a revolução das renováveis não está a avançar suficientemente rápido” nem está a ter o alcança que deveria ter.
As redes elétricas continuam a não conseguir acompanhar a expansão da capacidade de energia limpa, diz o secretário-geral das Nações Unidas, e custos elevados da transição estão a afastar muitos países dessa transformação.
“O caminho é claro”, assegura o português. “Temos de triplicar a capacidade global das renováveis até 2030, levantando barreiras, reduzindo custos e ligando a energia limpa a pessoas e à indústria, com escala, velocidade e solidariedade.”
A nível da União Europeia, a transição energética avança, mas ainda há um longo caminho a percorrer para se alcançar as metas definidas para o final da década.
Dentro de quatro anos, a União Europeia deverá, de acordo com a Diretiva das Energias Renováveis, também conhecida como RED III, chegar, no mínimo, aos 42,5% de energia de fontes renováveis no consumo total energético do bloco.
É um objetivo ambicioso, não apenas porque é um grande salto face aos 32% que se tinham estabelecido numa versão anterior da diretiva, como também está ainda muito longe, e o tempo começa a escassear, dos 25,4% que se registaram em 2024. Para lá chegar, diz a Agência Europeia do Ambiente, é preciso duplicar o ritmo de implementação de energias renováveis da última década e fazer “uma transformação profunda” do sistema energético europeu.
Ainda assim, e apesar de um ritmo abaixo do que seria necessário para atingir as metas definidas, há avanços significativos. Em 2025, as fontes solar e eólica produziram mais eletricidade na União Europeia do que o carvão, pela primeira vez.
De acordo com o relatório divulgado na semana passada pelo grupo de reflexão Ember, a energia gerada pela radiação solar e pela força do vento produziram 30% da eletricidade total no bloco, à frente dos 29% atribuídos ao carvão e ao gás.
A Suécia, a Finlândia e a Dinamarca são os Estados-membros com maior produção relativa de energia renovável, especialmente por causa de fortes indústrias hidroelétricas, da eólica e do amplo uso de biocombustíveis sólidos para aquecimento.
O Luxemburgo e a Bélgica estão na base dessa lista, com a menor implementação de renováveis. Portugal surge me sétimo lugar entre os 27 países, bem acima da média da União Europeia.









