Dia Mundial da Vida Selvagem: Estuário do Sado revela importância ecológica para a conservação dos cavalos-marinhos

A conclusão é de trabalhos científicos realizado nessa reserva natural no âmbito dos projetos portugueses Cavalos de Tróia e CavalSado.

Redação

O estuário do Sado tem uma grande importância ecológica para os cavalos-marinhos, revelam investigações científicas, reforçando o quão crítico é garantir a conservação deste ecossistema.

Os estudos foram realizados no âmbito de dois projetos que se debruçam sobre essa reserva natural portuguesa: o Cavalos de Tróia e o CavalSado.

Através do mergulho científico e do trabalho de proximidade com entidades locais, as equipas desses projetos conseguiram avaliar a distribuição, a abundância e a diversidade de cavalos-marinhos e marinhas por todo o estuário, principalmente em zonas de pradarias de ervas-marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias.

Investigadores fizeram mergulhos científicos para estudar os cavalos-marinhos no estuário do Sado. Foto: Nuno Vasco Rodrigues.

Foram observados cavalos-marinhos e marinhas em 15 dos 19 locais sondados. No total, foram registados 56 indivíduos pertencentes a cinco espécies: cavalo-marinho-de-focinho comprido (Hippocampus guttulatus), cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus), marinha-comum (Syngnathus acus), marinha-de-focinho-grosso (Syngnathus typhle) e agulhinhas do género Nerophis.

Em 15 dos 19 locais sondados, foram encontrados 56 indivíduos de cinco espécies: cavalo-marinho-de-focinho comprido, cavalo-marinho-comum, marinha-comum, marinha-de-focinho-grosso e agulhinhas do género Nerophis. Foto: Miguel Pais.

De acordo com a informação divulgada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), os resultados obtidos permitiram identificar três zonas prioritárias para a conservação, nomeadamente Soltroia, Marina de Tróia e Marina Marbella, devido à abundância e diversidade de espécies de cavalos-marinhos ou de marinhas observada nesses locais.

Foram também identificadas algumas ameaças a estas espécies emblemáticas, diz o ICNF, nomeadamente a degradação de habitat, o lixo marinho e o ruído subaquático.

Pela primeira vez, foi ainda identificado um jardim de gorgónias, que são corais de água fria, a baixa profundidade e em substrato móvel, que, tanto quanto se sabe, não estão reportados para ambientes estuarinos.

Os cavalos-marinhos e as marinhas (na foto) são considerados espécies-bandeira para a conservação e funcionam como indicadores da qualidade ambiental dos sistemas costeiros e estuarinos. Foto: Diana Rodrigues.

“Esta informação científica constitui uma base fundamental de referência para a monitorização futura e para apoiar decisões de gestão, planeamento territorial e definição de medidas de proteção no estuário do Sado”, afirma o ICNF.

A mesma entidade acrescenta que o trabalho desenvolvido reforça a importância de soluções baseadas em dados científicos, na cooperação, no envolvimento das comunidades e entidades locais, e de estratégias integradas para aumentar a resiliência dos ecossistemas estuarinos.

Os cavalos-marinhos são considerados espécies-bandeira para a conservação, mas estão particularmente vulneráveis, têm uma baixa capacidade de dispersão e uma elevada dependência de habitats específicos, também eles vulneráveis. Por isso, esses animais funcionam como indicadores da qualidade ambiental dos sistemas costeiros e estuarinos.

A degradação de habitat, o lixo marinho e o ruído subaquático são das principais ameaças a estas espécies emblemáticas. Foto: Mário Rolim.

Assim, a sua conservação e dos seus habitats contribui diretamente para a proteção da biodiversidade associada e para a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos, salienta a autoridade nacional de conservação da Natureza.

A investigação resulta de uma colaboração entre diversas entidades públicas e privadas, como a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa – NOVA FCT, a ARNET – Rede de Investigação Aquática, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas – ICNF, a TRÓIA-NATURA, o Programa Mares Circulares da Coca-Cola em Portugal, implementado pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), e a Câmara Municipal de Setúbal.

“Os projetos Cavalos de Tróia e CavalSado representam, por isso, um passo decisivo no conhecimento e valorização do património natural do estuário do Sado, reforçando o papel da ciência como ferramenta essencial para a conservação marinha em Portugal”, sublinha o ICNF.

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