Dois ursos e um tigre são os primeiros animais a serem resgatados de zoo na Argentina que fechou em 2020

O esforço está a ser coordenado pela organização internacional Four Paws, que em novembro do ano passado realizou uma avaliação veterinária aos animais que permanecem no zoológico argentino e determinou que esse trio precisava de cuidados imediatos devido às más condições do alojamento em que viviam e ao estado de saúde preocupante.

Filipe Pimentel Rações

No final de fevereiro, dois ursos e um tigre fêmea foram resgatados do parque zoológico de Luján, na Argentina, e realojados em santuários na Bulgária e nos Países Baixos. São os primeiros a serem resgatados do zoo que fechou portas em 2020 devido a graves preocupações sobre o bem-estar dos animais lá mantidos.

O esforço está a ser coordenado pela organização internacional Four Paws, que em novembro do ano passado realizou uma avaliação veterinária aos animais que permanecem no zoológico argentino e determinou que esse trio precisava de cuidados imediatos devido às más condições do alojamento em que viviam e ao estado de saúde preocupante.

Em julho de 2025, a organização assinou um memorando de entendimento com o governo da Argentina para resgatar os animais que estão no zoo de Luján e transferi-los para santuários. Poucos meses depois, em setembro, a Four Paws assumiu responsabilidade pelos animais, garantindo a sua alimentação e cuidados veterinários, após anos de negligência no seguimento do encerramento do parque.

Volvidos mais meses de preparação, entre 23 e 25 de fevereiro os dois ursos e o tigre foram, por fim, levados de avião de Luján para as suas novas casas, a onde chegaram em segurança para um novo capítulo das suas vidas.

Os dois ursos, um macho com 16 anos chamado Gordo e uma fêmea de 17 de nome Florencia, estavam a ser mantidos em condições “muito abaixo dos padrões de bem-estar aceitáveis”, diz a Four Paws. Florencia vivia num pequeno recinto de betão com uma piscina rasa, ao passo que Gordo, “severamente obeso” com 350 quilogramas, estava confinado “a uma minúscula jaula” sem acesso ao exterior, “devido ao receio de que pudesse fugir”.

Urso fêmea Florencia, com 17 anos, no zoo de Luján, cerca de um mês antes do resgate. Foto: FOUR PAWS.

Depois de resgatados, os dois animais foram transportados para o santuário de ursos em Belitsa, na Bulgária, gerido pela Four Paws e pela Fondation Brigitte Bardot.

O urso macho, Gordo, com mais de 300 kg, era mantido numa jaula demasiado pequena. Foto: FOUR PAWS.

Nesta primeira fase de resgate o tigre fêmea Flora encontrou também uma nova casa. Com 10 anos de idade, Flora teve de ser sujeita a cirurgia porque as suas garras estavam tão grandes que começam a penetrar na parte inferior das suas patas. Durante a operação, foi também removido um dente canino que estava partido.

Tigre fêmea Flora, com 10 anos, ainda no Zoo de Luján, semanas antes de ser resgatada. Foto: FOUR PAWS.

Amir Khalil, responsável pela missão da Four Paws no Zoo de Luján, afirma que as garras excessivamente longas de Flora causaram-lhe “uma dor imensa durante meses”, fazendo com que o animal tivesse dificuldade em andar e até mesmo em manter-se de pé.

Flora foi levada para o santuário de grandes felídeos Felida, nos Países Baixos.

Tigre Flora no recinto de quarentena do santuário Felida nos Países Baixos. Foto: FOUR PAWS | Nadine de Ruiter.

“O realojamento de Gordo, Florencia e Flora assinala um grande passo em frente, que foi possível pela dedicação da nossa equipa da Four Paws e pela forte cooperação com as autoridades argentines”, diz Luciana D’Abramo, diretora de programas da organização.

“Envia os primeiros animais na sua jornada em direção a uma nova vida é um marco fantástico depois de meses de trabalho incansável”, afirma, “mas há mais a fazer”.

Urso Florencia em quarentena no santuário em Belitsa, na Bulgária. Foto: FOUR PAWS | Hristo Vladev.

A Four Paws diz que permanecem no zoo de Luján mais de 60 grandes felídeos, pelo que o foco agora, finda a primeira fase de resgate, é tentar encontrar forma de retirar de lá os restantes animais e dar-lhes novas casas onde possam viver o resto dos seus dias da melhor forma.

“Apesar de melhorias temporárias, as suas atuais condições continuam altamente desadequadas e estão a trabalhar à máxima velocidade para assegurar futuros apropriados também para essas espécies”, assegura Luciana D’Abramo.

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