eBird: projeto LIFE SOS Pygargus apela ao registo e partilha de dados para salvar o tartaranhão-caçador da extinção

Utilizadores da app e participação cidadã são essenciais para proteger esta espécie ameaçada.

Redação

Os utilizadores da aplicação (app) para telemóvel eBird, a maior plataforma global de ciência cidadã para registar a observação de aves, podem contribuir de forma ativa para salvar o tartaranhão-caçador da extinção, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o projeto LIFE SOS Pygargus considera o envolvimento dos cidadãos essencial para proteger esta espécie migratória com estatuto de ameaça “Em Perigo” em Portugal e apela aos utilizadores da app para registar e partilhar dados sobre o tartaranhão-caçador. Estes registos são muito importantes e contribuem diretamente para as ações da campanha anual “Salvar o Tartaranhão-caçador”, implementada pelo projeto, e para a ciência aplicada à conservação e melhor gestão da espécie a longo prazo.

O tartaranhão-caçador (Circus pygargus) encontra-se no limitar da extinção. A sua população diminuiu cerca de 80% em Portugal, no período 2012-2022, e 30% em Espanha, entre 2006 e 2017, com uma tendência decrescente. Torna‑se, por isso, altamente prioritário recolher informação atualizada sobre a sua distribuição, caracterizar os habitats de reprodução e alimentação, e identificar as ameaças que comprometem o seu sucesso reprodutor e produtividade.

O tartaranhão-caçador é uma ave migratória, que inverna na África Subsaariana e passa a primavera e o verão na Península Ibérica, onde nidifica e permanece entre março e setembro. As primeiras aves desta espécie já começaram a chegar a Portugal e Espanha e todos podem contribuir com dados de observação de indivíduos, casais e/ou ninhos.

Como ajudar?

 Durante o período de nidificação e reprodução, entre março e agosto, se for para o campo e observar um indivíduo desta espécie, um casal ou um ninho (construído no solo em campos com cereais/forragem ou zonas de mato em áreas montanhosas), é fundamental que: registe a observação no eBird (ainda não tem a app? Descarregue na AppStore ou GooglePlay); envie à equipa do projeto informação sobre ninhos e locais de nidificação (a indicação das coordenadas GPS é essencial), bem como informações complementares relevantes, como fotografias, vídeos ou notas de campo detalhadas, através do formulário “Registar observação” disponível aqui; e registe os controlos de anilhas coloridas.

Está em vigor em território nacional uma campanha de seguimento do tartaranhão-caçador com recurso à leitura de anilhas coloridas PVC. Os juvenis e adultos desta espécie são marcados com uma anilha metálica e uma anilha em PVC verde-escuro com um código alfanumérico branco de três caracteres (letras e/ou números). Nos machos, a anilha colorida é colocada na pata direita, e nas fêmeas na pata esquerda. Os dados relativos a controlos de anilhas de tartaranhão-caçador devem ser reportados aqui.

Ninhos e aves feridas ou mortas: como proceder?

 No caso dos ninhos, sempre que forem detetados, bem como se se identificarem fatores de ameaça para a espécie/ninho, como atividades agrícolas, incêndios, risco de predação, entre outras, deve-se comunicar de imediato à equipa do projeto (ver o mapa com os contactos de telemóvel e e-mail por área de atuação aqui).

Se encontrar uma ave ferida ou morta, não toque, remova ou altere a posição do indivíduo ou cadáver, salvo indicação das autoridades. Contacte imediatamente a Linha SOS Ambiente e Território (+351 808 200 520) do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA/GNR). Se se encontrar em Espanha, contacte o Servicio de Protección de la Naturaleza – SEPRONA (062) da Guardia Civil.

Como registar da melhor forma os dados de tartaranhão-caçador no eBird?

Sejam listas completas ou observações casuais, o registo de indivíduos desta espécie na app eBird deve ser feito da seguinte forma:

1. Utilize a Tabela de Idade e Sexo para caracterizar todos os indivíduos presentes;

2. Utilize o campo “Detalhes” para descrever o morfotipo (características físicas, como, por exemplo, a cor, o tamanho, etc.) da ave;

3. Insira o Código de Nidificação mais alto observado em cada visita;

4. Descreva detalhadamente comportamentos relevantes que não disponham de código específico (cleptoparasitismo, interações com o habitat, com outros indivíduos da mesma espécie ou com outras espécies de aves, etc.);

5. Adicione fotos que permitam ajudar a caracterizar os indivíduos observados e o habitat;

6. Registe a presença de espécies com potencial predador, incluindo mamíferos domésticos ou selvagens e outras aves (rapinas, corvídeos e cegonhas);

7. Registe e documente outras espécies do género Circus, nomeadamente tartaranhão-azulado (Circus cyaneus) e tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus). Na impossibilidade de identificar a espécie, o registo deverá ser efetuado como Circus sp., descrevendo no campo “Detalhes” as características observadas que possam contribuir para a sua identificação;

8. Nesta espécie, são observados casais com comportamentos compatíveis com poliginia (em que um macho se reproduz com várias fêmeas) e poliandria (em que uma fêmea se reproduz com vários machos), pelo que qualquer comportamento que induza nesta possibilidade deve ser descrito na secção “Detalhes”;

9. No caso de aves em migração ou deslocação de longa distância, siga-as o máximo de tempo possível e indique a direção do voo (ponto cardeal);

10. Associe os seus registos a “Pontos de Observação Pessoais”, que devem estar omissos no caso de conterem informações sensíveis sobre a ocorrência da espécie.

Mais informações detalhadas sobre a espécie, como identificação, comportamentos específicos, variações de plumagem e morfologia, entre outras, estão disponíveis num artigo alargado publicado na plataforma eBird, bem como no site e redes socais Facebook e Instagram do projeto.

Mais do que um registo: torne-se “amigo do tartaranhão-caçador”

Salvar o tartaranhão-caçador da extinção na Península Ibérica “é uma tarefa hercúlea que exige grandes esforços e, sobretudo, colaboração cidadã e multissetorial”. Por isso, o projeto LIFE SOS Pygargus criou a Rede “Amigos do Tartaranhão-caçador”, à qual todos podem aderir.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.