Falta de regulamentação sobre desinformação climática limita esforços de mitigação

A ausência de medidas legislativas sobre desinformação climática limita os esforços para a sua mitigação pelas grandes empresas digitais, alerta a ONG EU DisinfoLab, exigindo medidas significativas para reduzir a disseminação de narrativas climáticas prejudiciais.

Green Savers com Lusa

A ausência de medidas legislativas sobre desinformação climática limita os esforços para a sua mitigação pelas grandes empresas digitais, alerta a ONG EU DisinfoLab, exigindo medidas significativas para reduzir a disseminação de narrativas climáticas prejudiciais.

“O Regulamento dos Serviços Digitais já está em vigor, mas a desinformação climática não é explicitamente reconhecida como um ‘risco sistémico’”, o que limita os esforços de mitigação da desinformação ‘online’, começa por explicar a organização.

Neste sentido, a análise da EU DisinfoLab às principais plataformas digitais revelou que “à medida que a crise climática acelera, é crucial exigir que as grandes plataformas ‘online’ (VLOPs) tomem medidas significativas e mensuráveis para reduzir a disseminação e amplificação de narrativas climáticas prejudiciais”.

De acordo com a organização as plataformas digitais continuam a desempenhar um papel central, “mas inadequadamente governado, na formação da compreensão pública das mudanças climáticas”.

“Apesar das novas obrigações sob a Lei dos Serviços Digitais (DSA), a desinformação climática permanece em grande parte não regulamentada”, afirmam os investigadores, acrescentando que “as plataformas não são legalmente obrigadas a reconhecer a desinformação climática como um risco sistémico, e a maioria continua a tratá-la como uma questão marginal”.

Segundo a análise realizada, o TikTok é a única plataforma com uma política de moderação de conteúdo específico para o clima, enquanto outras, como o Facebook, Instagram, YouTube ou X, aplicam regras gerais de desinformação ou não fornecem nenhuma estrutura relevante.

O YouTube rejeitou formalmente a integração de verificadores de factos terceirizados sob o DSA, o que enfraquece a responsabilidade e estabelece um precedente preocupante, segundo os investigadores.

As plataformas da Meta visadas nesta análise revelaram a ausência do “Climate Science Center e do Climate Info Finder”, anteriormente mencionado nos seus recursos de transparência e ajuda.

Além disso, “nenhuma plataforma aborda a desinformação climática gerada por IA [Inteligência Artificial], através de ferramentas específicas de moderação ou mecanismos de divulgação”.

Neste sentido, “outras plataformas que anteriormente faziam referência à desinformação climática (como a Meta) agora fazem-no apenas em categorias genéricas de desinformação e não reafirmaram ou atualizaram as estruturas de aplicação específicas do clima em 2025”.

Assim, o relatório apela para que as instituições da União Europeia (UE) designem formalmente a desinformação climática como um risco sistémico e exigem que as plataformas adotem sistemas de moderação transparentes e específicos para o clima.

A EU DisinfoLab é uma organização não-governamental (ONG) independente, com sede em Bruxelas, na Bélgica.

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