A exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano”, no Oceanário de Lisboa, encerra a 30 de junho de 2026, sendo a última oportunidade para os visitantes verem ou reverem uma das obras mais emblemáticas da instituição.
Este momento será assinalado como o culminar de um ciclo excecional e do impacto duradouro que esta obra viva teve ao longo de uma década, refere o Oceanário em comunicado.
De exposição temporária a obra icónica
Inaugurada em 2015 e concebida como uma exposição temporária, com uma duração prevista de três anos, “Florestas Submersas by Takashi Amano” conquistou um lugar de destaque na história do Oceanário de Lisboa e no panorama internacional do aquapaisagismo, ao apresentar o maior ‘nature aquarium’ alguma vez criado, refere a instituição, com 40 metros de comprimento e cerca de 160 mil litros de água doce.
Com quatro toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores e 78 troncos de árvores provenientes da Escócia e da Malásia, este aquário integra mais de 10 mil organismos vivos, incluindo 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas.
“A extraordinária adesão do público — mais de 10 milhões de visitantes ao longo de dez anos — prolongou naturalmente a presença desta instalação única, permitindo que milhões de pessoas se aproximassem da natureza através de uma experiência estética, sensorial e contemplativa”, aponta o Oceanário.

A dimensão emocional desta obra é ainda mais significativa por se tratar da última criação de Takashi Amano, que falece em agosto de 2015, no Japão, aos 61 anos, apenas quatro meses após a inauguração na exposição.
“O artista encarou este projeto como o culminar do seu percurso. Consciente do estádio avançado da sua doença, dedicou-se à criação do maior ‘nature aquarium’ do mundo como síntese da sua visão estética e filosófica”, recorda o Oceanário.
“Penso que este será o projeto da minha vida”, afirmou Takashi a propósito da obra, sublinhando a importância que lhe atribuía.
Este contexto confere à obra um significado particularmente intenso, pois foi o seu último grande gesto criativo, no qual procurou reunir os elementos da natureza num equilíbrio vivo e em permanente transformação.
“Para o Oceanário de Lisboa, ter sido o lugar escolhido para concretizar esta visão final representou também uma responsabilidade especial: preservar, durante uma década, com rigor e respeito, uma obra que marcou de forma definitiva a história do aquapaisagismo contemporâneo”, refere Hugo Batista, Curador e Diretor de Biologia da instituição.
“Gerir o fim de uma obra viva implica reconhecer que a mudança sempre fez parte da sua essência. O crescimento das plantas, o rearranjo natural dos elementos e a evolução do ecossistema eram parte integrante da visão de Takashi Amano. O tempo foi sempre um elemento estrutural da obra. Encerrar este ciclo é, por isso, coerente com a filosofia wabi-sabi que lhe deu origem: aceitar a impermanência como parte da beleza e permitir que a evolução continue, agora sob novas formas”, acrescenta o responsável.
Últimos meses para (re)descobrir a obra
Nos últimos meses de “Florestas Submersas by Takashi Amano”, o Oceanário de Lisboa está a promover um conjunto de “iniciativas especiais” que convidam a uma descoberta aprofundada desta obra, antes do seu encerramento.
Entre as atividades previstas destacam-se as sessões de poda subaquática ao vivo, que revelam o cuidado contínuo para manter o equilíbrio do aquário, e as visitas guiadas aos bastidores, que permitem conhecer de perto os processos técnicos e a dedicação da equipa responsável pela manutenção deste complexo ecossistema.
Estas iniciativas oferecem o que o Oceanário descreve como “uma perspetiva rara sobre a dimensão invisível da obra, reforçando o seu carácter vivo e em permanente transformação”.
Durante os 10 anos da sua existência, a manutenção deste aquário implicou mais de 11 mil horas de mergulho especializado.

O encerramento da exposição “Florestas Submersas by Takashi Amano”, salienta o Oceanário representa “a conclusão consciente de um ciclo excecional, em linha com a missão do Oceanário de Lisboa de promover a renovação contínua das suas experiências”.
Avança a instituição que está já a ser desenvolvido um novo projeto expositivo para este espaço, que “procurará envolver os visitantes numa experiência imersiva, capaz de despertar curiosidade e uma relação profunda com a natureza”.
Até 30 de junho de 2026, esta é a última oportunidade para “mergulhar” na paisagem submersa criada por Takashi Amano, uma obra na qual arte, natureza e tempo coexistem num equilíbrio vivo.









