Foca finlandesa oficialmente reconhecida como espécie distinta

No final do último mês de julho, a Sociedade Internacional de Mamalogia Marinha determinou que a foca-anelada do Saimaa é realmente uma espécie distinta, com o nome científico Pusa saimensis, fazendo vingar os argumentos apresentados por investigadores.

Filipe Pimentel Rações

Há milhares de anos que uma população de focas vive no lago Saimaa, no sudeste da Finlândia e a poucas dezenas de quilómetros da fronteira com a Rússia. É o maior lago desse país do norte da Europa e o quinto maior do mundo.

Essa focas estavam classificadas como sendo uma subespécie da foca-anelada (Pusa hispida), com o nome científico Pusa hispida saimensis.

No passado mês de junho, num artigo publicado na revista ‘PNAS’, um grupo de cientistas defendia que as focas do Saimaa são uma espécie à parte, tendo divergido das focas-aneladas P. hispida há mais de 60 mil anos, muito antes de o lago onde agora vivem se ter formado.

Com base em análises genéticas, que permitiram reconstruir a sua história evolutiva, e no estudo de traços morfológicos, como a dentição, esses investigadores diziam que as focas-aneladas do Saimaa deveriam deixar de ser consideradas uma mera subespécie e passar a ser classificadas como uma espécie de direito próprio.

No final do último mês de julho, os seus argumentos foram ouvidos e surtiram efeito. A Sociedade Internacional de Mamalogia Marinha, responsável por supervisionar o sistema de categorização dos mamíferos marinhos, e, por exemplo, determinar a inclusão de novas espécies, decretou que a foca-anelada do Saimaa é realmente uma espécie distinta, com o nome científico Pusa saimensis.

Em comunicado, os cientistas que defendiam a nova classificação, das universidades de Helsínquia e de Eastern Finland e do Instituto Finlandês de Recursos Naturais, aplaudem a decisão, descrevendo-a como “um passo altamente importante”, especialmente porque as focas-aneladas do Saimaa são a única espécie de mamífero endémica da Finlândia “e também um dos poucos mamíferos endémicos na Europa”.

Dizem os investigadores que “reconhecer a foca-anelada do Saimaa como uma espécie distinta salienta ainda mais a sua singularidade e a importância da sua conservação”. Embora a sua população tenha aumentado ligeiramente nos últimos anos fruto de ações de conservação, avisam que a população global da recém-reconhecida espécie ronda os 500 indivíduos.

“Isso faz com que esteja extremamente vulnerável a alterações nas condições de reprodução e à mortalidade causada pela atividade humana”, dizem os especialistas, acrescentando que, dada a grande dimensão do lago Saimaa (cerca de 4.400 quilómetros quadrados), a população está altamente fragmentada.

Dessa forma, é pouco provável que haja uma troca significativa de genes de indivíduos que vivem em grupos distantes uns dos outros, o que pode resultar numa “diversidade genética reduzida e em problemas relacionados com consanguinidade, especialmente em subpopulações mais pequenas”.

De acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, a foca-anelada do Saimaa (ainda classificada como subespécie, mas os cientistas dizem que as alterações demorarão a acontecer) está classificada com o estatuto de “Em perigo”.

Os investigadores esperam que, com este desenvolvimento invulgar em tempos em que estamos mais habituados a ouvir falar de espécies que desapareceram do que do surgimento de novas, os finlandeses “sintam orgulho nesta espécie de foca única, extraordinariamente interessante e também amorosa”. Para eles, é “um verdadeiro símbolo nacional cujo futuro, esperamos, estará agora mais bem assegurado”.

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