Fórum Económico Mundial: Um em cada quatro participantes chega a Davos de jato privado, revela relatório

Entre 19 e 23 de janeiro, a cidade de Davos, na Suíça, será palco de mais um encontro anual do Fórum Económico Mundial (FEM), onde líderes governamentais, empresariais, da sociedade civil e da Academia juntar-se-ão para discutir os grandes desafios globais e tentar encontrar soluções.

Redação

Entre 19 e 23 de janeiro, a cidade de Davos, na Suíça, será palco de mais um encontro anual do Fórum Económico Mundial (FEM), onde líderes governamentais, empresariais, da sociedade civil e da Academia juntar-se-ão para discutir os grandes desafios globais e tentar encontrar soluções.

Um dos principais temas da edição deste ano está relacionado com a construção da prosperidade sem exceder os limiares críticos do planeta. No site do FEM reconhece-se que “as infraestruturas, os sistemas alimentares e os ecossistemas naturais são todos afetados pelas alterações climáticas” e que é preciso agir para evitar os piores cenários.

Apesar da preocupação manifestada, um relatório da organização ambientalista Greenpeace revela incoerências entre o que se diz e o que se faz. De acordo com a análise “Davos in the Sky”, que olha para os voos de jatos privados de e para aeroportos perto de Davos ao longo dos últimos três anos, antes, durante e após o evento, o tráfego de jatos privados aumentou significativamente, ainda que o número de participantes se tenha mantido geralmente estável.

Na semana do FEM de 2025, foram identificados mais 709 voos de jatos privados nos aeroportos nas imediações de Davos, o que equivale aproximadamente a quase um voo de jato privado por cada quatro participantes.

Entre 2024 e 2025, registou-se um aumento de 10% no número de voos de jatos privados. No ano passado, esse número era o triplo do registado em 2023.

Diz a Greenpeace que o aumento do número de voos de jatos privados associados ao FEM em Davos não está relacionado com um aumento do número de participantes, mas sim com repetidas chegadas e partidas. Em 2024 e 2025, salienta a organização ambientalista, muitos jatos privados partiram e aterraram em Davos múltiplas vezes durante a mesma semana, “transformando a área num centro de transporte por jatos privados” para os participantes no evento.

A Greenpeace estima que cerca de 70% das rotas feitas pelos jatos privados nos últimos três encontros do FEM em Davos poderiam ter sido feitas por comboio no espaço de um dia.

“É pura hipocrisia que os mais poderosos do mundo e a elite super-rica discutam os desafios e o progresso globais em Davos enquanto literalmente queimam o planeta com as emissões dos seus jatos privados”, acusa Herwig Schuster, responsável de campanhas da Greenpeace Áustria.

Em comunicado, o ambientalista afirma que “os governos têm de agir para reduzir os voos de luxo poluentes e para tributar os super-ricos pelos danos que causam”.

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