Fósseis antigos revelam novas pistas sobre a evolução dos peixes ósseos

Os peixes ósseos — conhecidos cientificamente como Osteichthyes — representam cerca de 98% de todos os vertebrados, abrangendo desde a maioria dos peixes atuais até anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Redação

Dois estudos baseados em fósseis descobertos na China estão a lançar nova luz sobre as origens dos peixes ósseos, um grupo que inclui a maioria das espécies de peixes e todos os vertebrados terrestres. As investigações, publicadas na revista Nature, analisam exemplares que datam do período Silúrico, entre cerca de 444 e 419 milhões de anos.

Os peixes ósseos — conhecidos cientificamente como Osteichthyes — representam cerca de 98% de todos os vertebrados, abrangendo desde a maioria dos peixes atuais até anfíbios, répteis, aves e mamíferos. No entanto, os primeiros passos evolutivos deste grupo continuam pouco compreendidos, em grande parte devido à escassez de fósseis bem preservados anteriores ao período Devónico.

Um dos estudos descreve o mais antigo fóssil conhecido de um peixe ósseo com esqueleto articulado, encontrado num depósito fossilífero em Chongqing, no sudoeste da China. O exemplar, com cerca de 436 milhões de anos, pertence a uma nova espécie denominada Eosteus chongqingensis.

O peixe mede menos de três centímetros de comprimento, mas apresenta características importantes para compreender a evolução inicial do grupo. Entre elas estão espinhos nas barbatanas, estruturas presentes tanto em peixes ósseos como em peixes cartilaginosos, como tubarões e raias. Esta combinação de características sugere que o animal viveu numa fase muito precoce da evolução dos osteichthyes.

Num segundo estudo, os investigadores analisaram novos fósseis de outro peixe antigo, Megamastax amblyodus, considerado o maior vertebrado conhecido anterior ao Devónico. Os novos exemplares, encontrados na província chinesa de Yunnan e datados de cerca de 423 milhões de anos, incluem pela primeira vez um crânio e parte do tronco bem preservados.

Os fósseis revelam que os dentes deste peixe estavam organizados de forma diferente da observada nos peixes ósseos modernos. Em vez de estarem diretamente integrados no osso, encontravam-se dispostos em estruturas separadas, chamadas “almofadas dentárias”, fixadas em bases individuais.

Segundo os investigadores, esta arquitetura dentária representa um passo evolutivo importante na história dos peixes ósseos, ajudando a esclarecer como surgiram as estruturas dentárias que caracterizam muitos vertebrados atuais.

Em conjunto, as duas descobertas ajudam a preencher lacunas no registo fóssil e oferecem uma visão mais clara das transformações que deram origem a um dos grupos mais bem-sucedidos de vertebrados na história da Terra.

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