Fósseis chineses revelam que ecossistemas das profundezas marinhas prosperaram após a primeira grande extinção em massa

Dizem os investigadores que esses fósseis fornecem perspetivas fundamentais sobre a vida após aquele foi um dos primeiros grandes cataclismos que reduziu fortemente a diversidade da vida na Terra.

Redação

Uma equipa de cientistas liderada pela Academia Chinesa de Ciências descobriu, na província de Hunan, no sul da China, uma série de fósseis de animais marinhos que terão sobrevivido à grande extinção em massa que devastou a biodiversidade animal da Terra há cerca de 513 milhões de anos.

Foram recolhidos mais de 50.000 espécimes num só local e 8.681 foram formalmente classificados. Desses, 153 espécies de animais foram documentadas, das quais 91 são novas para a Ciência, pertencendo a 16 grandes grupos distintos. Os fósseis terão cerca de 512 milhões de anos, por isso, datam do período imediatamente após o evento de extinção e são vestígios dos que sobreviveram.

Há aproximadamente 540 milhões de anos a história da vida na Terra sofreu uma profunda transformação, com a emergência de formas de vida complexa, passando de uma biosfera dominada por microrganismos para uma que pululava com vida animal. A esse salto evolutivo chama-se muitas vezes de “explosão do Câmbrico”.

Representação artística da vida da comunidade marinha de animais, incluindo o predador radiodonte (à esquerda), que sobreviveu ao evento de extinção em massa de há 513 milhões de anos. Crédito: YANG Dinghua & Scientific Visualization Team / ScienceNet.cn.

Contudo, esse foi sol de pouca dura, pois uma década depois abater-se-ia sobre essa biodiversidade uma das primeiras e maiores extinção em massa. Explicam os cientistas que durante uns 50 milhões de anos após esse cataclismo, a biodiversidade global manteve-se relativamente baixa.

Ainda assim, os fósseis recolhidos revelam uma grande variedade e abundância de criaturas marinhas, invertebrados muito bem preservados – podem ver-se patas, guelras, sistema digestivo, olhos e até nervos –, que sugerem que, mesmo após o evento de extinção, havia “uma comunidade faunística de águas profundas com uma teia alimentar complexa”.

Dizem os investigadores, que divulgaram as descobertas num artigo publicado esta semana na revista ‘Nature‘, que esses fósseis fornecem perspetivas fundamentais sobre a vida após esse que foi um dos primeiros grandes cataclismos que reduziu fortemente a diversidade da vida na Terra.

Os animais encontrados no registo fóssil viveram em águas profundas nos limites da plataforma continental do sul da China, pertencendo sobretudo ao grupo dos artrópodes, onde se incluem os atuais aracnídeos, caranguejos e camarões, dos cnidários, onde estão as medusas, os corais e as anémonas-do-mar, e as esponjas, que são considerados dos animais mais antigos do planeta.

Alguns dos muitos fósseis de invertebrados encontrados pela equipa na província de Hunan. Fonte: Han Zeng et al., 2026, Nature.

Ainda que se trate de invertebrados, os fósseis incluem membros de uma subdivisão de animais que são considerados os parentes mais próximos dos vertebrados, os tunicados.

Ainda, entre os fósseis foram identificados predadores de topo como os radiodontes, conhecidos pelos seus apêndices longos tipo braços que serviam para agarrar as presas.

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