O Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF, sigla inglesa) avançou ontem que está a financiar pelo menos 10 projetos em Moçambique, num valor global de pouco mais de 82,6 milhões de dólares (71 milhões de euros).
Os dados foram avançados pelo ponto focal operacional do GEF em Moçambique, Eduardo Baixo, orador sobre o tema “Oportunidades e Desafios do Acesso aos Fundos Climáticos”, na conferência nacional de financiamento climático, que decorre até quinta-feira em Maputo.
O responsável adiantou que, além destes, o GEF financia também mais 27 projetos a nível global e no continente africano que igualmente são implementados no país, cujo objetivo é garantir a salvaguarda do meio ambiente e combater as mudanças climáticas.
“Em termos de área focal, vemos que a biodiversidade é a área que tem mais projetos, depois temos as mudanças climáticas”, explicou, acrescentando que se seguem investimentos para travar a degradação da terra, tratamento de resíduos sólidos e projetos relativos à partilha de águas internacionais.
Estes projetos de 82,6 milhões de dólares, implementados por 18 agências, estão em curso em Moçambique desde 2022, devendo findar em 2026, adiantou o ponto focal operacional do GEF.
Eduardo Baixo admitiu morosidade na avaliação, aprovação e desembolso dos valores dos projetos do clima e meio ambiente pelo Fundo para o Meio Ambiente Global, o que atrasa a implementação, retardando os seus impactos para o meio ambiente.
Moçambique registou, de 2000 a 2023, mais de 75 eventos climáticos extremos, causando perdas económicas superiores a 3,8 mil milhões de euros, colocando o país entre os 10 mais vulneráveis do mundo, avançou hoje o Governo.
O Governo moçambicano aprovou terça-feira o plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026, que admite poder afetar 1,2 milhões de pessoas, mas tem menos de metade dos 14 mil milhões de meticais (190 milhões de euros) necessários.
Em 13 de outubro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu a aposta em investimento para a resiliência das comunidades africanas, em vez de manter o foco apenas em ações para mitigar efeitos dos desastres naturais, para evitar perdas humanas.
As autoridades moçambicanas alertaram, em setembro, para cheias de “grande magnitude” no país e inundações em pelo menos quatro milhões de hectares agrícolas durante a época das chuvas que se iniciou em outubro, em Moçambique.
Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis e severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.
Só entre dezembro e março, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024.
O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.
Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados anteriores do Instituto Nacional de Estatística.









