Gás natural dispara mais de 50% esta semana com vaga de frio a apertar o mercado

Os preços do gás natural nos EUA registaram esta semana um salto acima de 50%, num dos movimentos mais fortes dos últimos anos, com os contratos mais negociados a atingirem níveis que não se observavam desde dezembro de 2022.

Redação

Os preços do gás natural nos EUA registaram esta semana um salto acima de 50%, num dos movimentos mais fortes dos últimos anos, com os contratos mais negociados a atingirem níveis que não se observavam desde dezembro de 2022.

Segundo uma análise da XTB , em alguns momentos, a valorização acumulada em apenas três sessões aproximou-se de ~80%, refletindo uma reavaliação rápida do risco num mercado conhecido pela sua forte sensibilidade ao clima.

O principal motor foi a meteorologia: previsões de uma vaga de frio intensa (“arctic blast”) em grande parte dos EUA aumentaram as expectativas de consumo para aquecimento e, ao mesmo tempo, levantaram receios de constrangimentos na oferta, por exemplo, produção e infraestruturas que podem ser afetadas por temperaturas extremas, incluindo em zonas produtoras. Quando o frio chega de forma abrupta, o mercado tende a reagir de forma amplificada, porque a procura pode subir muito rapidamente.

Do lado dos fundamentos, o dado mais recente do regulador norte-americano (EIA) mostrou um decréscimo de 120 Bcf (mil milhões de pés cúbicos) das reservas na semana terminada a 16 de janeiro, com o total armazenado nos 3.065 Bcf. Apesar desta descida, os inventários continuam acima da média de cinco anos, o que sugere alguma “almofada”, mas o foco do mercado está no que acontecerá nas próximas 1-2 semanas, caso o frio se prolongue e “force” retiradas maiores.

Os movimentos dos EUA também têm eco na Europa, onde o sentimento tem sido de suporte de preços: o gás europeu (referência TTF) subiu com previsões meteorológicas mais frias e um contexto de armazenamento mais apertado do que o habitual para esta altura do ano. Algumas leituras de mercado apontam para níveis de armazenamento próximos de 50%, abaixo de referências médias recentes, o que aumenta a sensibilidade a episódios de frio.

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