Haver mais ou menos presas pode determinar se tubarões-martelo migram ou “assentam arraiais”



Os tubarões-martelo-gigantes (Sphyrna mokarran) são considerados uma espécie migradora, podendo percorrer até 3.000 quilómetros. No entanto, se as condições do local onde estão forem favoráveis, podem não se lançar em grandes aventuras.

Um grupo de investigadores que estuda estes predadores marinhos nas águas ao redor da Ilha de Andros, a maior da Bahamas, colocou aparelhos de localização em tubarões e percebeu que alguns indivíduos, em vez de migrarem para a costa leste do Estados Unidos da América (EUA) com o resto do grupo, como seria de esperar, permanecem nas águas quentes caribenhas.

Sendo o tubarão-martelo-gigante uma espécie classificada como “Criticamente em Perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, os cientistas dizem que conhecer os habitats por eles usados é fundamental para proteger esses grandes predadores marinhos.

Os cientistas, em artigo publicado recentemente na revista ‘Frontiers in Marine Science’, que foi liderado pela organização Saving the Blue, sugerem que a ausência do comportamento de migração em alguns indivíduos (também conhecido como filopatria) poderá dever-se ao facto de o ambiente em que estão fornecer-lhes tudo o que precisam. Por isso, torna-se desnecessário gastar toda a energia que seria preciso gastar para nadarem  centenas de quilómetros para alcançarem outro local com condições semelhantes, com todos os riscos que uma viagem dessas envolve, incluindo a captura em artes de pesca, a maior ameaça à sobrevivência da espécie.

Assim, com alimento abundante e com acesso a águas profundas que se mantêm frescas mesmo durante o verão, os tubarões-martelo-gigantes podem ficar, e alguns ficam, todo o ano nas Bahamas, onde encontram um santuário no qual podem proteger-se das ameaças que teriam de enfrentar em longas migrações.

Além de terem documentado esse comportamento até agora desconhecido nos tubarões-martelo das Bahamas, a equipa verificou, através de análises a amostras de tecido de alguns indivíduos, que dois terços da sua alimentação é composta por raias e barracudas. O terço restante é composto por outros tubarões mais pequenos.






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