Íbex da Etiópia (outra vez) em risco de desaparecer. Cientistas pedem medidas urgentes para evitar extinção

O íbex da espécie Capra walie existe apenas no Parque Nacional das Montanhas Simien, no norte da Etiópia. Após alguns décadas de recuperação, a espécie está, uma vez mais, em risco de desaparecer.

Filipe Pimentel Rações

O íbex da espécie Capra walie existe apenas no Parque Nacional das Montanhas Simien, numa área com cerca de 100 quilómetros quadrados no norte da Etiópia. Como outros caprídeos, preferem altitudes elevadas, podendo ser encontrados entre os dois mil e os quatro mil metros acima do nível do mar, em paisagens escarpadas e inacessíveis a muitos outros animais.

A área protegida foi criada em 1966 para proteger os últimos 200 íbex que na altura existam, com o objetivo de impedir que a espécie se perdesse. Durante algumas décadas o esforço de conservação compensou, uma vez que em 2015 existiam cerca de 865 C. walie. No entanto, entre 2019 e 2021 esse número caiu para 650, e a tendência de declínio continua.

Num artigo publicado recentemente na revista ‘Oryx’, uma equipa de especialistas e investigadores da Autoridade Etíope de Conservação da Vida Selvagem, da Fundação Africana para a Vida Selvagem e da Université d’Angers (França) revela que em 2024 existiriam apenas 306 íbex C. walie nas Montanhas Simien, o que é o mesmo que dizer “em todo o mundo”, uma vez que a espécie é endémica dessa região.

Através de entrevistas com comunidades locais, os investigadores perceberam que mais de 70% dos interlocutores aponta a caça furtiva como a principal causa do novo declínio dos íbex. Contudo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), também a competição com a pastorícia pelos recursos vegetais é um fator de peso, especialmente devido à apascentação de gado dentro do parque nacional.

A curvas e contracurvas na conservação da espécie são muitas, e são facilmente percebidas quando se analisa a história dos seus estatutos de conservação. Em 1986, o íbex C. walie estava classificado como “Em Perigo”, passando para “Criticamente em perigo” dez anos depois. Em 2008, a espécie regressou ao estatuto “Em perigo” e em 2020, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, passou a ser classificada como “Vulnerável”.

Com base nos dados desta investigação, os cientistas dizem que o estatuto de conservação do íbex etíope deve, uma vez mais, ser agravado, desta vez para “Criticamente em perigo”. E justificam essa recomendação com “o recente e severo declínio populacional” e com a extensão geográfica limitada em que a espécie atualmente ocorre.

“Esta atualização de estatuto refletiria com precisão o alto risco de extinção [do íbex C. walie] e ajudaria a mobilizar recursos para ações urgentes de conservação”, argumenta a equipa, que estima que existam atualmente menos de 250 indivíduos maturos (com capacidade de reprodução), fazendo da espécie um dos mamíferos mais ameaçados o mundo.

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