Limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius pode evitar mais de 13,5 milhões de mortes prematuras evitáveis até 2050

De acordo com uma investigação internacional, maiores ganhos em termos de mortes evitadas estarão em países de baixos e médios rendimentos. Contudo, a dimensão e a distribuição desses ganhos dependerão fundamentalmente de como o “fardo” da mitigação global será partilhado entre os vários países.

Redação

A ação climática para evitar que o aquecimento do planeta ultrapasse os dois graus Celsius, em linha com o Acordo de Paris, pode prevenir mais de 13,5 milhões de mortes prematuras até 2050 devido à poluição do ar.

De acordo com uma investigação internacional que juntou cientistas dos Estados Unidos da América, da Índia, da Áustria, da China, de França e de Itália, os maiores ganhos em termos de mortes evitadas estarão em países de baixos e médios rendimentos. Contudo, a dimensão e a distribuição desses ganhos dependerão fundamentalmente de como o “fardo” da mitigação global será partilhado entre os vários países.

No artigo publicado na revista ‘The Lancet Global Health’, a equipa debruçou-se sobre 178 países para avaliar os impactos das políticas de mitigação climática nas emissões, na qualidade do ar, nos benefícios para a saúde e no bem-estar económico.

Ao estudarem vários cenários possíveis, os cientistas perceberam que, num cenário em que os países mais ricos carregam uma porção significativa dos custos de mitigação de emissões poluentes, os países mais pobres podem pagar menos por esses esforços, mas há uma redução de cerca de quatro milhões no número de mortes prematuras que conseguem nas suas populações devido a um menor atuação na poluição do ar. A equipa diz que isso se deverá ao facto de, num cenário de partilha mais equitativa do fardo da ação climática global, a redução do consumo de combustíveis fósseis nos países de baixos e médios rendimentos ser menor nas regiões onde a poluição atmosférica é mais significativa.

Por outro lado, num cenário em que as nações mais endinheiradas não partilham de forma tão equitativa esses custos, os países mais pobres têm de carregar um fardo maior, mas também conseguem obter melhores resultados no que toca à qualidade do ar e aos benefícios associados, apontam os investigadores.

“Mostramos que há uma tensão difícil entre a justiça climática distributiva internacional e o objetivo de salvar vidas através dos benefícios colaterais da redução da poluição do ar”, explica, em nota, Mark Budolfson, da Universidade do Texas em Austin (Estados Unidos da América) e principal coautor do estudo.

Embora quando se ouve falar de justiça climática a narrativa tenda a exigir que os países mais ricos assumam a maior parte dos custos da mitigação, por serem também eles os que mais contribuem para a crise climática, este trabalho aponta num outro sentido. Diz Budolfson que transferir “a mitigação dos países pobres para os países ricos tem o efeito perverso de reduzir o número de vidas salvas através de melhorias na qualidade do ar em países pobres”.

A equipa avança um cenário, semelhante ao da partilha equitativa, que, diz, será o mais eficiente e justo, um em que parte dos custos climáticos são assumidos pelas nações mais abastadas e que os custos de mitigação poupados pelos países mais pobres são redirecionados para melhorar a qualidade do ar nessas regiões do mundo. Avançam os investigadores, com base nos resultados dos cenários possíveis que analisaram, que para a maioria dos países de médios e baixos rendimentos “as poupanças decorrentes da redução dos custos de mitigação climática mais do que compensam os gastos destas medidas adicionais de melhoria da qualidade do ar”.

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