Louva-a-deus que imita orquídeas usa patas em forma de pétala para planar



A mimese é uma estratégia usada por alguns animais para se fundirem com o ambiente que os rodeia. Dessa forma, podem passar despercebidos aos olhares atentos dos predadores ou, ao contrário, capturar presas incautas por emboscada.

Um desses animais é uma espécie de louva-a-deus, também conhecido vulgarmente como louva-a-deus-orquídea (Hymenopus coronatus). Recebe esse nome porque o seu corpo de tons brancos e rosados evoluiu para se assemelhar, em forma, às flores desse grupo de plantas. A mimese morfológica é complementada com movimentos, típicos dos louva-a-deus, em que o inseto balança gentilmente o seu corpo de um lado para o outro, procurando imitar as pétalas de uma orquídea agitadas pelo vento.

Louva-a-deus-orquídea.
Foto: ZHAO Xin

Com um estilo de vida sobretudo arbóreo, uma das características mais notórias desta espécie é os membros achatados em forma de pétala. Durante quase 200 anos pensava-se que a forma das suas patas serviria apenas como mecanismo de camuflagem.

Contudo, uma investigação recentemente publicada na revista ‘Current Biology’ revelou que as patas em forma de pétala servem também para ajudar o louva-a-deus a planar entre a vegetação, sobretudo quando se sente ameaçado.

De acordo com os cientistas, a distância que esta espécie consegue alcançar ao planar é entre 50% e 200% maior do que a que é atingida por outros invertebrados que recorram a técnicas semelhantes. Embora as fêmeas de louva-a-deus sejam consideravelmente maiores do que os machos, a capacidade para planar não apresenta variações entre sexos, uma vez que quanto maior o corpo, maiores as patas em forma de pétala.

A técnica é mais usada pelas ninfas, louva-a-deus jovens, uma vez que só quando se tornam adultos é que adquirem a capacidade para voo ativo, através das suas asas. Ainda assim, os investigadores notaram que mesmo os adultos planam.

O louva-a-deus-orquídea é considerado um dos ícones dos animais que evoluíram para se assemelharem a espécies vegetais.
Foto: CHEN Zhanqi

Zhanqi Chen, da Academia Chinesa de Ciências e um dos autores do artigo, afirma, em comunicado, que as patas em forma de pétala “representam o primeiro registo de estruturas rígidas do exosqueleto que permitem planar, fazendo do louva-a-deus-orquídea o artrópode planador mais hábil que se conhece até hoje”.

Os investigadores dizem que serão precisos mais estudos para perceber se estes insetos, quando planam, são capazes de influenciar a trajetória em pleno ‘voo’.





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