Nenhum dos maiores bancos a nível mundial ainda se comprometeu a não financiar novos projetos de exploração de petróleo e de gás e para aumentar a presença do carvão na produção de eletricidade.
Uma investigação divulgada esta quarta-feira pelo Centro Global da Transição Climática, da London School of Economics and Political Science (LSE), revela que dos 36 bancos analisados, os maiores do mundo em termos de capitalização de mercado e total de ativos, nenhum ainda assumiu tal compromisso.
Para os autores do relatório, isso mostra que as grandes instituições bancárias têm feito “poucos progressos” ou tido uma “ação enfraquecida” no que às alterações climáticas diz respeito. Além disso, desse grupo, os bancos que recentemente atualizaram as suas políticas climáticas acabaram por enfraquecê-las, com alguns a eliminarem ou a reduzirem os seus compromissos para com emissões neutras, “substituindo linguagem firme como ‘compromisso’ e ‘meta’ por palavras menos precisas como ‘ambição’ e ‘aspiração’”.
A análise das políticas climáticas dos bancos teve por base 77 sub-indicadores agrupados em 10 áreas, uma metodologia a que os especialistas chamam de “Net Zero Banking Assessment Framework”.
Com base nesse modelo, percebeu-se que existe uma estagnação generalizada na ação desses 36 bancos para mitigarem os seus contributos para a crise climática, por via do financiamento de novos projetos de combustíveis fósseis. Em média, os bancos tiveram resultados positivos em apenas 18% dos 77 sub-indicadores e aqueles com os melhores desempenhos estavam bem colocados em apenas cerca de um terço deles.
Dos 36 bancos abrangidos pelo estudo, só cerca de metade é que está a investir em soluções climáticas e na transição energética: apenas 17 têm metas de financiamento para soluções climáticas, “mas as atividades ilegíveis para este financiamento variam de banco para banco”, refere o relatório.
“Dado o papel central dos bancos na economia e a sua ampla influência no clima, o seu progresso lento na transição climática, aliado à recente dissolução da Aliança Bancária para a Neutralidade Climática [a NZBA, que foi dissolvida no início deste mês], sugere que os objetivos do Acordo de Paris estão a ficar cada vez mais fora de alcance”, alerta Algirdas Brochard, do Centro Global da Transição Climática da LSE.









