Maioria dos americanos a favor de combate à crise climática, apesar do negacionismo do governo Trump



A maioria dos eleitores americanos apoia investimentos em energias verdes e compromissos para com a ação climática, apesar de o governo liderado pelo Presidente Donald Trump se posicionar contra as renováveis e de considerar que as alterações climáticas são uma invenção.

Em setembro passado, na Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, Trump subira ao pódio para declarar que as alterações climáticas são um dos maiores embustes da História humana e que abandonar os combustíveis fósseis em prol de energias verdes é “suicídio económico”.

Agora, uma sondagem realizada por centros de investigação das universidades de Yale e George Mason revela o que parece ser um desalinhamento entre o governo e a opinião pública.

Com uma amostra de 900 eleitores recenseados, dos quais 47% se assumem como democratas, 42% como republicanos e 9% independentes, 61% considera que o desenvolvimento de fontes de energia limpa deveria ser uma prioridade para o Presidente e para o Congresso dos Estados Unidos da América (EUA).

Quase metade dos inquiridos diz que combater o aquecimento global deveria ser uma das principais prioridades do governo e dos parlamentares, e 35% afirma que esse tema será “muito importante” na decisão que tomará nas eleições para o congresso que estão marcadas para o próximo ano.

A sondagem aponta ainda que 59% dos eleitores americanos diz que prefere votar num candidato a um cargo público que apoie ações para combater o aquecimento global. Vinte e oito por cento afirma que só votará num candidato ao congresso em 2026 que apoie o aumento do uso de energia renovável e 26% que apoiará apenas um candidato que apoie a redução do uso de combustíveis fósseis.

Menos de metade dos inquiridos mostra-se favorável a expansão da exploração de petróleo e de gás nos EUA, em terra ou no mar, e 75% apoia a produção de energia renovável em terrenos públicos no país.

Apesar dos cortes que o governo de Trump tem feito nos orçamentos de centros de investigação e de agências governamentais relativamente à investigação científica sobre as alterações climáticas, 77% dos inquiridos nesta sondagem apoia o aumento do financiamento para investigação sobre fontes de energia renovável e 66% considera que a economia americana deveria estar totalmente livre de combustíveis fósseis, e alimentada a 100% por energias renováveis, até 2050.

Uma das medidas que Trump tomou logo nos primeiros dias do seu segundo mandato presidencial foi retirar informação e referências às alterações climáticas, e especialmente à contribuição humana para esse fenómeno, de sites governamentais e das agências públicas.

Também aqui, parece haver desacordo, pois, segundo a sondagem, 77% dos inquiridos são contra a proibição de as agências federais divulgarem informação sobre o aquecimento global e a mesma percentagem assume-se contra o fim da investigação pública sobre esse tema.

Outro dos marcos da presidência Trump foi o anúncio da saída do país do Acordo Climático de Paris, mas 77% dos inquiridos diz apoiar o acordo e 64% dizem estar contra a decisão do Presidente.

O relatório aponta para uma dissonância entre a visão do governo e a opinião da população no que toca a ambiente e clima, e especialmente para uma fragmentação do eleitorado republicano, do partido que suporta Trump, relativamente à transição energética e à crise climática.






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