Maputo lança concurso para ter novo aterro sanitário até 2028
O município de Maputo lançou um concurso para desenho, construção e operacionalização de um novo aterro sanitário e estação de transferência, a concluir até março de 2028, permitindo o encerramento da maior lixeira a céu aberto em Moçambique.
Segundo o documento do concurso lançado pela autarquia, consultado hoje pela Lusa, o projeto de construção de uma instalação de gestão de resíduos sólidos de Maputo inclui um novo aterro sanitário, no distrito da Katembe, na margem sul da baía da capital, e de uma estação de transferências de resíduos sólidos, indicando que a construção deverá ser concluída até 31 de março de 2028.
Nas especificidades técnicas, o documento do concurso pede a elaboração de propostas para a instalação de gestão de resíduos sólidos de Maputo com uma capacidade mínima de aterro de 23,7 milhões de toneladas métricas, respeitando ainda um projeto conceptual geral para 28 anos de vida útil da nova instalação.
Estas obras vão contar com uma doação do Banco Mundial de 100 milhões de dólares (82 milhões de euros), através da Associação Internacional de Desenvolvimento, no âmbito do Projeto de Transformação Urbana de Maputo, conforme anunciado em dezembro de 2020.
Em julho do ano passado, o município de Maputo prometeu concluir o encerramento da maior lixeira a céu aberto em Moçambique até finais de 2028, justificando que está condicionado pela entrada em funcionamento de um novo aterro sanitário.
“Antes de fechar a lixeira ou encerrar a lixeira de Hulene temos que ter um novo sítio onde ir colocar e, de acordo com aquilo que está programado, até 2027 nós teremos o aterro em funcionamento, concluído e em funcionamento. Só depois é que começa o processo de encerramento”, disse o vereador de Infraestruturas e Salubridade no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, João Munguambe.
Em 21 de janeiro do ano passado, a Lusa noticiou que o município de Maputo lançou um concurso para encerrar a lixeira de Hulene, numa operação de quase 10 milhões de euros e que inclui um plano de aproveitamento de toneladas de resíduos.
Desde o incidente de 2018, ano em que 16 pessoas morreram naquele local na sequência do desabamento de uma parte da lixeira, as autoridades municipais têm estado a receber diversos apoios para gestão de resíduos, mas o encerramento efetivo não tem ainda data prevista.
Por dia, estima-se que mais de 1.200 toneladas de resíduos sólidos sejam depositadas nos mais de 25 hectares da maior lixeira de Moçambique, nos subúrbios de Maputo, ao longo de uma das principais artérias da capital, a avenida Julius Nyerere.
A maior lixeira da capital moçambicana foi notícia internacional quando, na madrugada de 19 de fevereiro de 2018, uma parte, com a altura de um edifício de três andares, desabou devido à chuva forte e abateu-se sobre diversas habitações precárias do bairro.
Das 16 pessoas que morreram no local, sete eram crianças, num episódio que levantou debates entre ambientalistas sobre o impacto da lixeira numa área residencial.
