A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) considerou prioritárias a alimentação artificial da Praia de Vieira e a contenção da arriba de São Pedro de Moel, no concelho da Marinha Grande, devido ao impacto do mau tempo.
Aquelas intervenções são para executar a curto prazo, até dezembro de 2027, segundo o relatório técnico com a síntese das ocorrências na faixa costeira de Portugal continental, que visa “avaliar os impactos das sucessivas tempestades ocorridas no presente inverno marítimo na faixa costeira”, com “particular enfoque no período abrangido pela 2.ª quinzena de janeiro e 1.ª quinzena de fevereiro”.
O relatório, divulgado na semana passada, refere que a Praia da Vieira registou episódios de erosão costeira, galgamentos costeiros e danos em obras de proteção costeira, apresentando, entre outros, danos em “estruturas de proteção/defesa aderente, áreas construídas de fruição/uso público, edificações, e esporão ou quebra-mar”.
Para esta estância balnear, no âmbito da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro, a APA defende a alimentação artificial.
Já no caso da Praia de São Pedro de Moel, o mau tempo desencadeou “episódios de erosão costeira”, ocorrendo danos em “áreas construídas de fruição/uso público, e edificações”.
De acordo com a APA, há risco potencial para transeuntes, com esta agência a propor a “estabilização da obra de contenção da arriba”.
O presidente da APA, Pimenta Machado, disse hoje à agência Lusa que há risco de colapso de uma varanda da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, que está na base de uma arriba e, na base inferior, está o areal, frequentado por pessoas.
Está em curso a colocação de sinalética a alertar residentes e visitantes para esta situação, adiantou Pimenta Machado.
No mesmo relatório são referidas ainda outras duas praias do concelho da Marinha Grande – Velha e das Pedras Negras -, ambas com “episódios de erosão costeira”.
A praia das Pedras Negras tem danos em “áreas construídas de fruição/uso público”, enquanto a Praia Velha em “edificações e áreas construídas de fruição/uso público”.
Estas duas praias, assim como a de São Pedro de Moel, estão na área da ARH do Tejo e Oeste.
Segundo o relatório técnico da APA, encontra-se previsto um investimento na faixa costeira de Portugal continental na ordem dos 111 milhões de euros, que se divide por três horizontes temporais, de acordo com a tipologia do risco associado e medidas de mitigação a adotar em conformidade.
No imediato, e até ao início da próxima época balnear (maio/junho de 2026), a APA prevê um investimento de 15 milhões de euros, e até ao final do corrente ano um investimento de 12 milhões de euros, num total de 27 milhões de euros.
Até final de dezembro de 2027, para intervenções de curto prazo, estima um investimento de 31 milhões de euros; e a médio prazo, para além de janeiro de 2028, cerca de 53 milhões de euros.
Em 12 de fevereiro, a Câmara da Marinha Grande informou que realizou uma intervenção de emergência na Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, para tentar evitar a derrocada da varanda e de parte do edifício.
“Procedeu-se à injeção gravítica de cimento, para reforço estrutural, estabilização do solo e do muro adjacente ao edifício e vedação das fendas existentes no muro de suporte, garantindo maior contenção e segurança”, adiantou o município.
Da autoria do arquiteto Raul Lino, a casa foi oferecida a Afonso Lopes Vieira (1878-1946) pelos pais, em 1902, por ocasião do seu casamento.
Após a morte do poeta, a casa foi legada em testamento à Câmara Municipal para que funcionasse como colónia de férias para os filhos dos operários e dos guardas-florestais da Marinha Grande (distrito de Leiria).
Além de polo cultural e turístico, a Casa-Museu guarda diversos objetos do poeta.
Desde 1949 que, na época estival, funciona como colónia balnear, cumprindo o desejo de Afonso Lopes Vieira.









