Com os barris de petróleo a ultrapassarem a marca dos 100 dólares por causa do conflito no Médio Oriente, encher o depósito de um carro a gasolina poderá ficar cinco vezes mais caro do que carregar um carro elétrico.
A conclusão é da organização Transport & Environment, numa análise publicada esta terça-feira, no mesmo dia em que os ministros do Ambiente da União Europeia estão reunidos em Bruxelas com uma agenda que tem como um dos principais pontos de trabalho as emissões automóveis. Em cima da mesa está o que a organização diz ser uma proposta para enfraquecer as metas climáticas dos fabricantes.
Na agenda oficial do Conselho de Ambiente de hoje, está plasmada a discussão de uma proposta da Comissão Europeia que visa introduzir “flexibilidades” no Regulamento (UE) 2019/631 sobre as emissões de dióxido de carbono de veículos ligeiros de passageiros. Essa proposta de alteração baixará de 100% para 90% a exigência aos fabricantes de redução as emissões até 2035, com os restantes 10% a poderem ser compensados com “créditos para combustíveis sustentáveis” e com “o uso de aço de baixo carbono feito na UE”.
Num contexto de subida dos preços dos combustíveis fósseis por causa do conflito no Médio Oriente, a Transport & Environment estima que atestar carros a gasolina custaria 14,20 euros por 100 quilómetros (km), um aumento de 3,80 euros devido ao conflito. Por outro lado, carregar um carro elétrico cifra-se nos 6,50 euros por 100 km, um aumento de 70 cêntimos causado pelo aumento dos preços da eletricidade provocado pelo encarecimento do gás.
A organização não-governamental estima que os custos serão ainda maiores para as empresas, com uns adicionais 89 euros por mês por cada carro a gasolina na frota empresarial. Os carros elétricos, por outro lado, representariam um aumento de apenas 16 euros por mês, em termos de carregamento.
“Os condutores de carros a gasolina são fortemente penalizados na bomba de cada vez que enfrentamos uma crise do petróleo”, diz, em comunicado, Lucien Mathieu, responsável da divisão de mobilidade automóvel da Transport & Environment.
“Os carros elétricos são a melhor aposta para assegurar que isto não volta a acontecer”, acrescenta, lançando críticas aos líderes alemão e italiana, e também aos Estados Unidos e ao Irão.
“O Chanceler [Friedrich] Merz e a Primeira-ministra [Giorgia] Meloni querem desacelerar a transição para os veículos elétricos, o que irá apenas prolongar a nossa dependência do petróleo. Um Trump ou um Aiatola podem controlar as torneiras do petróleo, mas não podem controlar o vento e o sol”, lança o responsável.
Em 2025, a UE gastou cerca de 67 mil milhões de euros na importação de mil milhões de barris de petróleo para abastecimento de automóveis. Ainda assim, os oito milhões de carros elétricos nas estradas europeias pouparam ao bloco uns adicionais 46 milhões de barris importados no ano passado, com uma poupança de 2,9 mil milhões de euros, estima a Transport & Environment.









