Mediterrâneo Ocidental com piores indicadores ambientais dos mares europeus

O Mediterrâneo Ocidental está entre as regiões com os níveis de pressão mais elevados e os piores indicadores ambientais dos mares europeus, indica um estudo divulgado ontem pela agência noticiosa espanhola EFE.

Green Savers com Lusa

O Mediterrâneo Ocidental está entre as regiões com os níveis de pressão mais elevados e os piores indicadores ambientais dos mares europeus, indica um estudo divulgado ontem pela agência noticiosa espanhola EFE.

O trabalho, que avalia de forma abrangente a situação ambiental de todas as águas marinhas da União Europeia (UE), assinala que, em geral, os mares europeus estão “longe de atingir o objetivo de Bom Estado Ambiental”, como definido na Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM) do bloco europeu.

O Mediterrâneo Ocidental “apresenta o índice de estado ecológico [relativo à saúde dos ecossistemas e sustentabilidade de um território] mais baixo da Europa”, segundo o Centro Científico e Tecnológico AZTI, especializado em meio marinho, que coordenou o estudo.

O Mar de Alborão, a parte mais ocidental do Mediterrâneo, apresenta “o maior índice de pressão entre as áreas avaliadas, refletindo uma intensidade significativa de impactos humanos, como a pesca intensiva, o tráfego marítimo e a poluição”, acrescenta.

Financiada pela UE, a análise alerta para “falhas estruturais na proteção marinha”, apelando para que se tomem medidas urgentemente “para evitar danos irreversíveis nos ecossistemas”.

“Mais de uma década após a entrada em vigor da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha, (…) os mares europeus ainda estão longe de atingir o objetivo de Bom Estado Ambiental. A biodiversidade marinha continua a apresentar sinais de deterioração e as atividades humanas continuam a exercer uma pressão considerável sobre os ecossistemas”.

A investigação demonstra como a pesca excessiva, a poluição, as espécies invasoras e as alterações climáticas se acumulam “sem uma resposta eficaz e coordenada”.

O Mar Báltico e o Mar do Norte apresentam melhores níveis de fiscalização e governança, enquanto a significativa falta de dados sobre o Mediterrâneo Oriental dificulta a avaliação necessária para a determinação de medidas.

“Onde há cooperação regional e investimento na ciência, há progresso. Mas, em muitas áreas, ainda estamos a navegar no escuro”, sublinhou Athanasios Nikolaou, professor de Ciências Marinhas na Universidade do Egeu e principal autor do estudo, citado pela EFE.

A Diretiva-Quadro exige que os Estados-Membros avaliem o estado ambiental dos seus mares de seis em seis anos e elaborem planos para alcançar o bom estado ambiental, indicando a análise que a qualidade dos dados e a aplicação das medidas variam bastante entre países e bacias marítimas.

“Este estudo confirma o que a comunidade científica tem vindo a assinalar: a UE precisa de reforçar a sua governação marinha, basear-se mais em evidências científicas e agir de forma coordenada e urgente se quiser proteger os seus mares”, afirmou Ángel Borja, investigador do AZTI e coautor do estudo.

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