O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, referiu hoje que a Grande Barragem da Renascença Etíope (GERD) é um símbolo da “autossuficiência” e “unidade” africanas, um dia antes da inauguração da maior central hidroelétrica de África.
“Em breve inauguraremos a Grande Barragem da Renascença Etíope, um símbolo continental de autossuficiência, unidade e energia limpa”, afirmou Abiy, durante o seu discurso na abertura da segunda Cimeira Africana sobre o Clima (ACS, na sigla em inglês), em Adis Abeba.
O líder destacou que a controversa infraestrutura, fonte de conflito com o Sudão e o Egito, fornecerá mais de 5.000 megawatts de energia renovável, “abrindo caminho para uma energia justa para a Etiópia e a África Oriental”, e permitirá ao país avançar no seu “plano nacional de cozinha limpa”.
A barragem “libertará milhões de lares das cozinhas cheias de fumo e aliviará as tarefas diárias, especialmente para as mulheres das nossas cidades”, concluiu Abiy.
O primeiro-ministro anunciou em julho passado ao parlamento a conclusão do projeto, construído no Nilo Azul (principal afluente do rio Nilo), na região etíope de Benishangul-Gumuz (oeste), a quinze quilómetros da fronteira com o Sudão.
A GERD tem sido motivo de uma longa disputa com o Egito e o Sudão, uma vez que estes países consideram a barragem uma ameaça à sua segurança hídrica e viola acordos históricos sobre o uso da água do Nilo.
Apesar das repetidas garantias da Etiópia de que o projeto não causaria danos significativos, os três países não conseguiram chegar a um acordo nas sucessivas negociações que tiveram lugar desde 2015, e o Egito e o Sudão acusaram o Governo etíope de prosseguir com as fases de enchimento da barragem de forma unilateral.
Adis Abeba considera que a GERD é vital para a sua economia, enquanto o Cairo e Cartum temem que ela afete os níveis de água do Nilo nos seus respetivos trechos.









