Mistério sobre a quantidade de lula consumida pela baleia-piloto-tropical finalmente resolvido

Investigadores dos Estados Unidos, Espanha, Austrália e Dinamarca revelam, na Journal of Experimental Biology, que cada baleia havaiana consome entre 82 e 202 lulas por dia — o que corresponde a um total de 88 mil toneladas anuais para toda a população — um valor que, felizmente, representa apenas uma pequena fração do número de lulas existente na região.

Redação

De quanta lula precisam as baleias-piloto-tropical (Globicephala macrorhynchus) ao largo do Havai para sobreviver? E existirão lulas suficientes para sustentar toda a população? Conhecer estes factos básicos é essencial para proteger a espécie. Investigadores dos Estados Unidos, Espanha, Austrália e Dinamarca revelam, na Journal of Experimental Biology, que cada baleia havaiana consome entre 82 e 202 lulas por dia — o que corresponde a um total de 88 mil toneladas anuais para toda a população — um valor que, felizmente, representa apenas uma pequena fração do número de lulas existente na região.

Saber a quantidade de alimento que um animal necessita diariamente é uma peça central do grande puzzle da vida, ajudando a identificar quando uma espécie pode estar em risco caso a sua fonte alimentar diminua. Um dos grupos mais enigmáticos são precisamente as baleias-piloto, capazes de mergulhar até 1700 metros à procura de comida, sobretudo lulas.

“Estes animais têm sido estudados em vários locais do mundo, mas sabemos relativamente pouco sobre eles nas águas havaianas”, refere William Gough, da Universidade do Havai em Mānoa, que se juntou a colegas para desvendar quanto consomem estas baleias.

A equipa partiu para o Pacífico para aplicar sensores a oito baleias-piloto. Os dispositivos, com ventosas destacáveis, registavam movimentos, profundidade, sons, geolocalização e incluíam uma câmara com luz.

“As baleias-piloto-tropical são pequenas e rápidas, por isso temos de escolher bem o momento”, recorda Gough. Idealmente, o sensor era colocado atrás do orifício respiratório, virado para a cabeça, de modo a captar imagens de caça em profundidade. Para medir o tamanho dos animais, um drone mantinha-se a 25 metros de altura a filmar cada baleia.

Recuperados os sensores — que por vezes flutuaram até 80 quilómetros em mar agitado —, os investigadores verificaram que as baleias realizaram 118 mergulhos profundos, descendo até aos 864 metros, e que cada animal mergulhava cerca de 39 vezes por dia.

A análise dos batimentos da cauda durante os mergulhos permitiu calcular o gasto energético: 73,8 kJ/min em profundidade, contra 44,4 kJ/min à superfície. Mas quantas lulas seriam necessárias para repor essa energia?

Ouvindo os cliques de ecolocalização registados quando as baleias capturavam uma lula, a equipa estimou que os animais comem cerca de quatro lulas por mergulho, e que cada uma fornece aproximadamente 560 kJ após digestão.

Assim, Gough concluiu que cada baleia deve ingerir entre 82 e 202 lulas por dia — o equivalente a cerca de 73 730 lulas por ano por indivíduo.

E qual será o consumo total da população havaiana? Com estimativas que apontam para até 8 000 baleias-piloto, calcula-se um consumo anual de cerca de 88 mil toneladas de lulas — um volume que, felizmente, não representa ameaça à população local de cefalópodes.

“Estes resultados mostram que as baleias-piloto estão em boa forma no Havai, com acesso a uma fonte de alimento abundante e fiável”, afirma Gough, que se mostra otimista quanto ao futuro da espécie na região.

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