Moçambique instalou mais de 700 mil sistemas de energias renováveis até 2024

O presidente da associação de energias renováveis moçambicano disse hoje que o país instalou mais de 700 mil sistemas solares domésticos até 2024, que beneficiam milhares de pessoas, apontando desafios financeiros para garantir acesso nas zonas rurais.

Green Savers com Lusa

O presidente da associação de energias renováveis moçambicano disse hoje que o país instalou mais de 700 mil sistemas solares domésticos até 2024, que beneficiam milhares de pessoas, apontando desafios financeiros para garantir acesso nas zonas rurais.

“Já vamos com mais de 700 mil sistemas instalados, assumindo que existem cinco pessoas por cada um desses sistemas, (…) já falamos de um número significativo a nível de milhões de moçambicanos que estão a [receber eletricidade] através destas soluções”, disse o presidente da Associação Moçambicana das Energias Renováveis (Amer), Ricardo Pereira.

O responsável, que falava, em Maputo, durante a abertura da 2.ª Edição do Fórum Bianual de Energia Fora da Rede, avançou que o país conta com mais de 111 mini-redes solares e hídricas instaladas até 2024, a produzirem mais de 11.58 MegaWatts (MW).

Segundo o responsável, a instalação destes sistemas, sob a gestão do Fundo de Energia (Funae) moçambicano, traduziu-se num crescimento significativo para o setor.

“Este crescimento também foi acompanhado por uma inovação institucional significativa, incluindo esforços para introduzir pagamentos para carteiras digitais e estruturar modelos híbridos de gestão privada”, referiu.

O presidente da Amer apontou ainda desafios nas tarifas, nas concessões e transparência na regulamentação dos projetos do setor privado, assegurando ultrapassar a situação para permitir maior acesso a energias renováveis nas zonas rurais.

“Para a parte dos sistemas sociais caseiros, um dos grandes desafios, neste momento, é tocarmos na questão do financiamento, (…) os mecanismos e os incentivos disponíveis e, também, introduzir esta nova temática do lixo eletrónico”, apontou o responsável da associação.

Pereira avançou que o país está, neste momento, com apenas 60% de eletrificação por sistemas solares, garantindo acesso universal até 2030.

“Quer dizer que temos quase 40% da nossa população que, nos próximos cinco anos, nós temos que trabalhar para conseguir dar acesso”, referiu Ricardo Pereira, avançando estar estimado um investimento, a nível da estratégia de transição energética, de mais de 80 mil milhões de dólares (69,2 mil milhões de euros) para os pilares de grandes projetos, dos transportes e da indústria até 2050.

A diretora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, considerou o fórum bianual uma plataforma para alinhamento de pensamentos estratégicos e políticos sobre a energia fora da rede, pedindo aceleração de mecanismos de financiamento e implementação de energias renováveis.

Segundo a dirigente, os mecanismos devem também permitir um desenvolvimento sustentável, recorrendo a tecnologias de baixa emissão de carbono e gerando crescimento social, económico e inclusivo.

Na última década, Moçambique quase duplicou a taxa de eletrificação, no entanto, mais de metade da população ainda não tinha eletricidade em 2022, e o acesso a energia para cozinhas limpas é extremamente baixo, com apenas 7% da população a utilizar soluções modernas, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgados, em outubro, pela Lusa.

Este organismo internacional quer que Moçambique fortaleça os seus sistemas de planeamento e dados referentes a energia, incluindo a adoção de ferramentas de monitoria transparentes no uso de recursos energéticos, referindo que visam “atender a uma população em rápido crescimento”.

Moçambique continua com alta percentagem de energia que vem da hidroelétrica, com a AIE a apontar que outras fontes de energias renováveis “permanecem em grande parte inexploradas”.

A agência indica ainda que a estratégia moçambicana de Transição Energética, aprovada em 2023, cujo objetivo é acelerar o acesso universal à energia, ainda enfrenta desafios referentes às infraestruturas.

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