O Governo moçambicano apontou ontem a necessidade de melhorar a resiliência dos mais vulneráveis e de desenvolver sistemas adequados face às alterações climáticas, referindo que 800 mil famílias nesta situação recebem apoios sociais.
“A frequência desses eventos extremos perpetua um ciclo de vulnerabilidade e exige que o país desenvolva sistemas adequados de preparação, prevenção e gestão apropriada aos desastres”, disse o secretário do Estado do Género e Ação Social, Abdul Ismail, durante abertura da terceira edição do Diálogo sobre Resiliência Social, em Maputo, marcando o início das comemorações da Semana da Proteção Social.
O governante referiu que Moçambique é um dos países mais propensos a choques climáticos no mundo, enfrentando regularmente ciclones, secas, cheias e inundações, o que exige ações para proteger as pessoas.
“Com estes fenómenos torna-se fundamental alavancar os sistemas nacionais de proteção social para responder a choques climáticos variáveis e melhorar a resiliência das famílias vulneráveis, fortalecendo as sinergias entre as instituições responsáveis pela resposta à emergência e pela proteção social”, frisou Abdul Ismail, referindo que cerca de 800 mil famílias beneficiam atualmente dos serviços de ação social no país, que apontou ser um passo significativo da resposta atempada aos desafios.
O secretário do Estado reconheceu também o contraste entre os atuais modelos de proteção social no país face ao contexto das mudanças climáticas, “levando à necessidade de repensar na eficiência e eficácia dos modelos atuais e na conceção e adoção de modelos alternativos de proteção social”.
As autoridades moçambicanas anunciaram em 23 de setembro que estão a preparar um plano de emergência para fazer face à época das chuvas de 2025/2026, pedindo que as comunidades estejam atentas aos avisos emitidos sobre os ciclones.
O Governo moçambicano estima necessidades de financiamento de 31,3 mil milhões de euros até 2030 para alcançar a resiliência climática, conforme a estratégia aprovada em 16 de setembro, pelo Conselho de Ministros.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.
Só entre dezembro e março, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024.
O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.
Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.









