Moçambique tem metade dos 190 ME que precisa para chuvas que ameaçam 1,2 milhões

O Governo moçambicano aprovou hoje o plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026, que admite poder afetar 1,2 milhões de pessoas, mas tem menos de metade dos 14 mil milhões meticais (190 milhões de euros) necessários.

Green Savers com Lusa

O Governo moçambicano aprovou hoje o plano de contingência para a época chuvosa 2025/2026, que admite poder afetar 1,2 milhões de pessoas, mas tem menos de metade dos 14 mil milhões meticais (190 milhões de euros) necessários.

“Da parte que temos disponível, em termos de capacidade para lidar com isto, estamos a falar de cerca de seis mil milhões de meticais [81,4 milhões de euros], que é uma parte daquilo que foi computado como necessário para este ano, está disponível em meios, em equipamentos e algum dinheiro”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

A época das chuvas em Moçambique começou este mês e prolonga-se até abril, tendo aquele órgão aprovado hoje o plano de contingência, que admite três cenários, podendo afetar de menos de um milhão a quatro milhões de moçambicanos. Contudo, o Governo trabalha como cenário mais realista consequências para cerca de 1,2 milhões de pessoas, na previsão intermédia.

“Feita a análise das previsões climáticas sazonais e a interpretação para a hidrologia, agricultura e saúde, conjugadas com a análise da vulnerabilidade e dos fatores de contenção, o Governo adota um plano de contingência que responda a um cenário de ocorrência de ventos fortes, inundações urbanas, seca, cheias e ciclones”, explicou.

O plano, reconheceu Impissa, em declarações aos jornalistas no final da reunião semanal daquele órgão, tem “um défice de oito mil milhões de medicais [108,6 milhões de euros], que se espera ser reduzido através de outras fontes de financiamento, como sejam o seguro paramétrico, implementação de ações antecipadas à seca, cheias e ciclones, e doações em espécie ou em numerário”.

Insistiu que “boa parte da resposta” no âmbito dos desastres naturais “tem estado no comportamento” da população, juntamente com a atual “boa capacidade” do país para fazer previsões, “resultado dos investimentos na área da meteorologia”.

“E a política alterou. Para nós agora é investir na recuperação e não propriamente nos desastres. Nos desastres, o que vamos fazer é conseguir gerir o risco, mas queremos investir mais no restabelecimento das pessoas e no restabelecimento das condições para as pessoas poderem ser mais resistentes e resilientes às questões de risco”, concluiu Impissa.

Em 12 de setembro, as autoridades moçambicanas alertaram para cheias de “grande magnitude” no país e inundações em pelo menos quatro milhões de hectares agrícolas durante a próxima época das chuvas, que se iniciou em outubro, em Moçambique.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.

Só entre dezembro e março passados, na última época das chuvas, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024, com registo de quase 200 mortos.

O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.

Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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