Ações de plantação de árvores ou de recuperação de florestas que foram destruídas são vistas como fundamentais para restabelecer sumidouros de carbono naturais e, assim, contribuir para a mitigação do aquecimento global e combater as alterações climáticas.
Contudo, não importa só plantar em quantidade. Saber onde plantar é tão ou mais importante do que o número de árvores que se planta, diz novo estudo.
Uma investigação liderada pela universidade ETH Zurich, na Suíça, revela quais os locais do mundo onde a plantação de árvores é mais eficaz na redução do aquecimento global, não só analisando efeitos bioquímicos, como a absorção de dióxido de carbono através da fotossíntese, mas também outros fatores, como o albedo (o rácio de reflexão de volta para o Espaço da luz solar que incide sobre a Terra), a evapotranspiração e as alterações causadas na superfície do solo pelas ações de plantação.
Criando três modelos computacionais que simulam cenários de reflorestação com diferentes áreas e os seus efeitos até 2100, partindo do princípio de que a floresta se manterá inalterada durante 30 anos consecutivos, os cientistas perceberam que em dois cenários alcançar-se-ia os mesmos efeitos de arrefecimento global, embora a diferença de área entre eles seja de cerca de 450 milhões de hectares, o que equivale quase à área de todos os países da União Europeia combinados.
“O facto de conseguirmos alcançar o mesmo efeito de arrefecimento com muito mesmo área mostra que onde plantamos é mais importante do que quanto plantamos”, diz Nora Fahrenbach, primeira autora do estudo publicado recentemente na revista ‘Communications Earth & Environment’.
Dizem os investigadores que essa maior eficiência está associada à localização geográfica das ações de plantação de árvores e aos processos biofísicos e bioquímicos em diferentes latitudes.
Assim, com base nos resultados, dizem que as regiões onde é maior o potencial de arrefecimento são os trópicos, especialmente na bacia do Amazonas e na África Ocidental e do sudeste, com efeitos globais e locais.
“Aí, as árvores não só armazenam carbono de forma eficiente (arrefecimento bioquímico), como também arrefecem a envolvente ao nível local devido à elevada taxa de evapotranspiração (arrefecimento biofísico)”, detalha a equipa. Algo semelhante, embora com efeitos menos pronunciados, pode acontecer no sudeste asiático.
Por outro lado, a investigação revela que a plantação de árvores em latitudes mais elevadas, como na Sibéria, no Canadá, no Alasca e noutras zonas da América do Norte, os efeitos são menores, pelo que ações de reflorestação de grande escala não contribuirão significativamente para o arrefecimento do planeta.
Explicam os cientistas que essas zonas do planeta estão, habitualmente, cobertas de neve e gelo durante vários meses seguidos, o que ajuda a refletir de volta para o Espaço a radiação solar. Aquando de ações de plantação, a folhagem mais escura das árvores faz com que mais radiação seja absorvida, aumentando a temperatura ao nível local, o que poderá mesmo anular qualquer efeito de arrefecimento que as árvores possam gerar.
Dessa forma, ao evitar a plantação de árvores em latitudes mais elevadas e ao focar esses esforços nas regiões tropicais, “a reflorestação torna-se uma ferramenta muito mais eficiente no que toca à proteção climática”, argumenta Fahrenbach.
Este grupo de investigadores percebeu também que os impactos da reflorestação não se limitam ao local onde acontece, mas repercutem-se pelo mundo fora, afetando a temperatura e a precipitação em regiões a milhares de quilómetros de distância.
“Há muito que se sabe que as florestas tropicais arrefecem o clima de forma muito mais eficiente do que florestas em latitudes mais elevadas”, refere a cientista, acrescentando que este estudo fornece agora aos decisores uma “base científica” para que possam tomar as melhores decisões no que toca à plantação de árvores, “destacando que áreas a nível mundial têm o maior potencial para um arrefecimento global efetivo”.









