Os níveis dos reservatórios na província de Inhambane, no sul de Moçambique, estão a cair, após 20 anos de extração, comprometendo os níveis de produção para os próximos anos, admitiu o ministro dos Recursos Minerais.
“Os níveis atuais de produção dos poços e furos tendem a decrescer. Temos que encontrar alternativas de encontrar mais gás, para garantir que se possa continuar com o fornecimento”, disse Cristóvão Pale.
O ministro explicou que, para lidar com a situação, o Governo está a promover pesquisas adicionais, envolvendo os outros potenciais interessados em fazer pesquisas em torno de Pande e Temane.
“Nós pensamos que ainda há muita disponibilidade de se encontrar novos reservatórios. Ninguém sabe o que está por baixo do subsolo, é um capital de risco e investimento”, disse Pale.
A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) alertou em setembro para o “declínio acentuado” em reservatórios de gás no relatório do último ano fiscal, em que a petrolífera estatal registou queda de 15% nos lucros, para 46,7 milhões de dólares (39,4 milhões de euros).
“Um dos grandes desafios que temos será o de sermos capazes de responder à situação do declínio acentuado da produção nos nossos reservatórios de Pande e Temane nos próximos anos, por forma a manter os níveis de desempenho atual”, lê-se na mensagem do conselho de administração, liderado por Arsénio Mabote, que consta do relatório e contas de 2024/2025, encerrado em junho.
“Também precisamos continuar a identificar novas oportunidades que agreguem valor ao nosso negócio contando para tal com a colaboração dos nossos acionistas, com os quais temos vindo a bordar as estratégias mais adequadas da nossa continuidade no negócio a longo termo”, acrescenta-se na mensagem.
Os lucros da CMH já tinham recuado 15,5% no ano fiscal terminado em junho de 2024, para 54,7 milhões de dólares (46,1 milhões de euros), segundo dados anteriores da petrolífera estatal, somando agora nova queda, num período (2024/2025) marcado igualmente pelo recuo de 9% na venda de gás natural pela empresa, face ao anterior.
A administração justifica esta queda no desempenho financeiro com “a flutuação dos preços de petróleo no mercado internacional, assim como aos problemas operacionais em unidades chave da central de processamento de Temane”, na província de Inhambane.
Estes fatores limitaram “a capacidade de produção do gás e do seu derivado, não obstante terem sido registadas manutenções de rotina”, lê-se no documento.
Para “assegurar o cumprimento das suas obrigações contratuais”, a CMH deu continuidade a implementação de projetos “que visam a manutenção e otimização da capacidade produtiva através da maximização da recuperação do gás” em alguns reservatórios e em novos furos.
A CMH desenvolve a atividade operacional de produção petrolífera e é controlada pela estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, que detém 70% do seu capital social e foi indicada pelo Governo moçambicano para, juntamente com a sul-africana Sasol Petroleum Temane (SPT), conduzir as operações petrolíferas nas áreas dos campos de produção de Pande e Temame, por um período de 30 anos, ao abrigo do Acordo de Produção de Petróleo assinado em outubro de 2000.
A petrolífera também faz parte dos Acordos de Operações Conjuntas assinados com a SPT em dezembro de 2002, cobrindo os reservatórios dos campos de Pande e Temame, já que a empresa produz e vende apenas gás e opera de forma integrada.
Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.
Além do operado pela Eni, a única em produção, estão em fase de desenvolvimento o projeto da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, até 43 milhões de toneladas por ano (mtpa), e o projeto Rovuma LNG (Área 4), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa.









