O mês de novembro de 2025 destacou-se pelo calor anómalo à escala global e por níveis elevados de precipitação em várias regiões da Europa, incluindo Portugal. De acordo com o Boletim Climatológico do IPMA, este foi o terceiro novembro mais quente desde que existem registos a nível mundial.
A temperatura média global do ar à superfície atingiu os 14,02 °C, valor que representa um desvio positivo de 0,65 °C face à média do período de referência 1991-2020. Em comparação com o nível pré-industrial (1850-1900), novembro apresentou uma anomalia de +1,54 °C, tornando-se o segundo mês, desde abril de 2025, a ultrapassar o limiar de 1,5 °C acima da média histórica.
Na Europa, a temperatura média mensal fixou-se nos 5,74 °C, cerca de 1,38 °C acima do normal, classificando novembro de 2025 como o quinto mais quente de que há registos. As temperaturas foram particularmente elevadas no leste europeu, Rússia, Balcãs e Turquia, enquanto valores abaixo da média se fizeram sentir no norte da Suécia e da Finlândia, na Islândia e em algumas zonas do norte de Itália e do sul da Alemanha.
Em termos de precipitação, o mês foi mais chuvoso do que o habitual no Reino Unido, Irlanda, Península Ibérica, noroeste da Rússia e grande parte dos Balcãs, com episódios de chuva intensa na Albânia e na Grécia. A depressão Cláudia contribuiu para condições meteorológicas adversas em grande parte da Europa Ocidental. Em contraste, registaram-se condições mais secas do que a média na Islândia, sul de Espanha, norte de Itália, centro da Alemanha e Suécia.
Portugal continental: chuva acima do normal e temperatura dentro da média
Em Portugal continental, novembro de 2025 foi classificado como normal em termos de temperatura e muito chuvoso quanto à precipitação. A temperatura média do ar foi de 12,47 °C, apenas 0,14 °C acima do valor normal, fazendo deste o 10.º novembro mais quente desde 2000. A temperatura máxima média situou-se nos 16,93 °C (+0,17 °C) e a mínima média nos 8,01 °C (+0,11 °C).
A primeira metade do mês foi marcada por temperaturas acima da média, até ao dia 17, seguindo-se um período mais frio até ao final de novembro. Destacam-se o dia 4, quando mais de 70% das estações do IPMA registaram temperaturas máximas superiores a 20 °C, e o dia 22, em que cerca de 35% das estações observaram temperaturas mínimas negativas.
No que diz respeito à precipitação, novembro foi o 13.º mais chuvoso desde 1931 e o terceiro mais chuvoso deste século. O total acumulado foi de 202,9 mm, o que corresponde a 180% da média climatológica de 1991-2020. Foram ainda registados 15 novos recordes de precipitação máxima para o mês, cinco dos quais constituem extremos absolutos.
A chuva intensa contribuiu para o desagravamento da seca meteorológica em todo o território, que terminou mesmo nas regiões Norte e Centro. No final do mês, apenas 21% do território se encontrava em situação de seca fraca.
Entre os principais destaques meteorológicos contam-se os efeitos da depressão Cláudia, responsável por precipitação forte e prolongada, granizo, trovoadas frequentes e episódios de vento intenso. De referir ainda a ocorrência de um tornado em Albufeira, no dia 15 de novembro, com rajadas máximas estimadas em cerca de 60 m/s, equivalentes a aproximadamente 220 km/h.









