Novo apoio ajuda organizações comunitárias na Austrália a enfrentar impactos sociais das alterações climáticas

Uma nova ferramenta digital gratuita e um conjunto de workshops personalizados foram desenvolvidos para ajudar organizações de serviços comunitários a responder aos impactos das alterações climáticas sobre pessoas que já vivem em situação de vulnerabilidade.

Redação

Uma nova ferramenta digital gratuita e um conjunto de workshops personalizados foram desenvolvidos para ajudar organizações de serviços comunitários a responder aos impactos das alterações climáticas sobre pessoas que já vivem em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa — “Climate Justice and Resilience Toolkit” — surge de uma investigação da Edith Cowan University (ECU), publicada na revista Human Service Organizations: Management, Leadership & Governance. O estudo revelou que, apesar de manifestarem vontade de agir, muitas organizações comunitárias ainda não estão devidamente preparadas para lidar com as consequências sociais das alterações climáticas.

O projeto foi coordenado pela Professora Associada Naomi Godden, do Centro for People, Place and Planet da ECU, que inquiriu e entrevistou profissionais de serviços comunitários em toda a Austrália Ocidental. A maioria dos participantes admitiu possuir apenas um conhecimento reduzido a médio sobre questões de justiça climática.

“Embora as alterações climáticas afetem todas as pessoas e setores da sociedade, este é também um tema de justiça social e de direitos humanos. Certas comunidades são atingidas de forma desproporcional — entre elas, os Povos Aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres, pessoas em situação de sem-abrigo ou dificuldades financeiras, mulheres, crianças e jovens, pessoas com deficiência ou doença crónica, migrantes recentes e pessoas racializadas”, explica a professora Naomi Godden.

“Os serviços comunitários já observam estes impactos desiguais: famílias que enfrentam o aumento do custo dos alimentos e dos combustíveis, ou comunidades afetadas por vagas de calor, incêndios florestais e inundações. A nossa investigação mostra que estas organizações precisam de mais apoio e recursos para se prepararem e responderem adequadamente”, acrescenta.

Projeto de longo prazo e parceria com comunidades aborígenes

Como resultado do estudo, nasceu o projeto “Enhancing Disaster Resilience and Climate Justice in Community Services” (“Reforçar a Resiliência a Desastres e a Justiça Climática nos Serviços Comunitários”).
O programa conta com financiamento do Governo da Commonwealth e da Lotterywest, bem como o apoio do Departamento de Bombeiros e Serviços de Emergência. A sua governação é assegurada pela Healthy Environments and Lives Network WA Aboriginal Steering Group e pelo Climate Justice Union’s Lived Experience Advisory Group.

Mara West, membro do grupo aborígene de orientação do projeto, sublinhou os desafios específicos enfrentados pelas comunidades indígenas face às alterações climáticas:

“As alterações climáticas estão a afetar as comunidades aborígenes de forma intensa, porque estamos na linha da frente e sentimos essas mudanças na nossa terra. Basta caminhar pelo país para perceber o que está a acontecer”, afirma.

“Os prestadores de serviços precisam de ser flexíveis e de trabalhar lado a lado com as comunidades — sentar-se com o nosso povo e ouvir. Só assim poderão realmente responder às nossas necessidades, em vez de limitarem-se a fazer promessas vazias”, adianta.

Ferramenta para a mudança

O Climate Justice and Resilience Toolkit foi criado em coautoria por pessoas com experiência vivida, líderes tradicionais aborígenes, organizações de serviços comunitários e investigadores da ECU.
A ferramenta disponibiliza recursos gratuitos que ajudam as instituições a integrar a justiça climática e a resiliência face a desastres nas suas políticas, programas e práticas diárias.

“O toolkit oferece orientações práticas para que as organizações se preparem para os impactos climáticos, com destaque para processos equitativos de trabalho com comunidades aborígenes e pessoas com experiência direta, garantindo que os serviços respeitam os seus saberes e necessidades”, diz a professora Godden.

Workshops e financiamento disponíveis

A equipa do projeto está agora à procura de organizações comunitárias em toda a Austrália Ocidental interessadas em acolher workshops sobre justiça climática e resiliência, e em aprender a aplicar as ferramentas do toolkit nas suas atividades.

Estão ainda disponíveis parcerias financiadas até 50 mil dólares australianos para apoiar a implementação de iniciativas piloto de justiça climática e resiliência dentro das operações ou serviços das organizações.

“O projeto foi concebido com ciclos contínuos de aprendizagem e ação”, explica Godden.
“O que aprendermos através destas parcerias será incorporado na ferramenta, tornando-a um recurso dinâmico e adaptado às necessidades reais do setor”, conclui.

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