A organização não-governamental (ONG) Born Free, que defende que os animais selvagens devem viver em liberdade na Natureza, apela ao fim “urgente” e progressivo do cativeiro de grandes primatas em parques zoológicos e instalações semelhantes.
Esta quinta-feira, a ONG publicou um relatório no qual argumenta que manter chimpanzés, orangotangos e gorilas em cativeiro é “uma prática arcaica, antiética e prejudicial”.
Segundo a Born Free, atualmente mais de 1.500 grandes primatas, que descreve como “criaturas altamente inteligentes e profundamente sociais”, vivem em zoos, e diz que a análise agora divulgada se baseia em “décadas de observação, literatura científica e poderosos casos de estudo” e “expõe o sofrimento experienciado pelos grandes primatas em ambientes que nunca conseguirão dar resposta às suas complexas necessidades físicas, emocionais e sociais”.
“Os grandes primatas são os nossos parentes vivos mais próximos, com uma imensa capacidade de aprendizagem. Apesar disso, continuamos a encarcerá-los em zoo, onde lhes é negada a escolha sobre aspetos fundamentais das suas vidas – como vivem, com quem vivem, com quem acasalam ou como escapam a conflitos”, escreve a ONG britânica em comunicado.
“Como o nosso relatório revela, os resultados são catastróficos tanto para os animais e, demasiadas vezes, para os humanos que olham por eles ou que visitam as instalações onde eles são mantidos”, acrescenta.
Entre as principais conclusões da análise, a Born Free diz que se descobriu, ou confirmou, que os grandes primatas experienciam partos traumáticos, elevados níveis de nados-mortos e rejeição materna, bem como situações de infanticídios.
Ainda, critica a prática, alegadamente seguida por alguns zoos, de administrar antidepressivos aos primatas para aliviar o stress causados pela vida em cativeiro, lamenta que alguns desses animais não consigam escapar a conflitos devido às dimensões limitadas das instalações em que vivem e que os programas de reprodução em cativeiro na Europa “têm produzido excesso de grandes primatas machos”, com o “excedente” de indivíduos a enfrentar “um futuro profundamente incerto”.
A Born Free lança também dúvidas sobre a necessidade de programas de reprodução em cativeiro com vista à conservação de espécies de grandes primatas.
“Grandes primatas criados em zoos não são, em termos genéticos e comportamentais, adequados para libertação na natureza, e libertar primatas criados em zoos representa sérios riscos para as populações selvagens, como confirmado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)”, garante a ONG.
“Concluímos que a manutenção de grandes primatas em zoos deverá, de forma humana e com compaixão, ser progressivamente eliminada em todo o Reino Unido, na Europa e, em última instância, no mundo”, defende a Born Free.









