Operação internacional contra crimes ambientais desmantela “principais redes criminosas” na Amazónia

Uma operação contra crimes ambientais na região da Amazónia, liderada pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), em colaboração com o Brasil, Equador, Peru e Colômbia, resultou na detenção de 94 pessoas e na apreensão de ativos ilícitos avaliados em mais de 64 milhões de dólares.

Filipe Pimentel Rações

Uma operação contra crimes ambientais na região da Amazónia, liderada pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), em colaboração com o Brasil, Equador, Peru e Colômbia, resultou na detenção de 94 pessoas e na apreensão de ativos ilícitos avaliados em mais de 64 milhões de dólares.

De acordo com a agência estatal emiradense WAM, a iniciativa, denominada “Operação Escudo Verde” (ou “Operation Green Shield, no original em inglês), conseguiu desmantelar “as principais redes criminosas a operar na Bacia do Amazonas”, através de mais de 350 operações no terreno ao longo de duas semanas.

O objetivo era combater práticas ilegais a acontecer na região, como a mineração, o tráfico de animais selvagens, a extração não autorizada de madeira e o contrabando.

Segundo as informações oficiais divulgadas, foram apreendidas mais de 310 toneladas de minerais e 3.800 metros cúbicos de madeira extraídos ilegalmente. Foram também recuperados com vida mais de 2.100 animais e confiscados os cadáveres de outros 6.350, incluindo aves, lagartos e mamíferos.

As autoridades policiais apreenderam também “equipamento pesado usado em atividades criminosas”, como buldózeres, carrinhas e trituradoras.

Entre os “sucessos mais notáveis”, é assinalado o desmantelamento do gangue “Los Depredadores del Oriente”, envolvido no tráfico de animais selvagens, e que resultou no resgate de 1.400 animais vivos. Além disso, é avançado o desmantelamento de três grupos de crime organizado que operavam na Amazónia colombiana e uma célula que ligações àquela que é considerada uma das associações criminosas mais poderosas da Colômbia, o Clan del Golfo.

“A escala e a velocidade dos resultados reflete não apenas a força da cooperação regional, mas também a crescente determinação dos governos para tratarem os crimes ambientais como uma questão de segurança prioritária”, diz, em nota, Dana Humaid Al Marzouqi, diretora-geral do Gabinete de Assuntos Internacionais do Ministério do Interior dos EAU e uma das coordenadoras da operação.

“Do resgate de milhares de animais à disrupção de economias ilícitas avaliadas em dezenas de milhões de dólares, os resultados da Operação Escudo Verde enviam uma mensagem clara sobre a aplicação coordenada da lei”, salienta.

As equipas dos vários países envolvidos estão agora a analisar os dados recolhidos para desenvolverem “estratégias de longo-prazo para desmantelar redes criminosas e reforçar a governança ambiental na região”, pelo que são esperadas mais detenções e apreensões, uma vez que as investigações continuam.

A “Operação Escudo Verde” acontece no âmbito da “International Initiative of Law Enforcement for Climate” (I2LEC), uma plataforma lançada pelo Ministério do Interior dos EAU em 2023 em parceria com o Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

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