Reforçar a eletrificação das frotas automóveis das grandes empresas na União Europeia (UE) permitirá que as fabricantes alcancem as metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa que têm de cumprir até 2030, argumenta a organização não-governamental Transport & Environment (T&E).
Em comunicado, a entidade diz que uma análise que realizou recentemente mostra que uma nova lei ao nível da UE que aperte as regras de descarbonização das frotas das grandes empresas tornará possível aumentar as vendas de novos carros elétricos até ao final da década.
“Embora as fabricantes automóveis digam que a procura por veículos elétricos é insuficiente para cumprir as metas de CO2 da UE para 2030, a análise da T&E mostra que uma lei ambiciosa para as frotas empresariais permitiria vendas de dois milhões de novos carros elétricos”, salienta a organização.
No entanto, diz que isso só será possível se as metas sobre os carros elétricos foram revistas e aumentadas. Em dezembro, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para estabelecer metas quanto ao número de carros e carrinhas elétricos nas frotas das empresas até 2030. Essa proposta resulta do recuo na proibição da venda de novos carros a combustão a partir de 2035 na UE, fruto de pressão por parte do setor.
Assim, prevê-se uma meta de 45% de carros elétricos nas frotas empresariais em cada Estado-membro até 2030, o que a T&E considera ser insuficiente, propondo, ao invés, uma meta de 69%, que exclua híbridos plug-in.
A organização acredita que o reforço dessa meta permitiria aumentar as vendas de veículos elétricos na UE e alcançar as metas de descarbonização e redução de emissões que o bloco de 27 países estabeleceu para o final da década.
“Conceber uma lei das frotas que não exija às grandes empresas que liderem é como construir uma casa na qual ninguém viverá”, diz Sofia Grande y Rodriguez, gestora da área de frotas limpas na T&E.
“Os legisladores têm duas opções. Ou aumentam as metas para os veículos elétricos e deixam cair os híbridos plug-in, ou falham em transformar essa lei no poderoso instrumento de estímulo da procura que deveria ser”, salienta. “É do interesse da indústria automóvel europeia que isto seja feito da forma correta.”
Diz ainda a T&E que metas ambiciosas para as frotas empresariais impulsionarão o emprego e a indústria local. Em 2025, 74% de todos os novos elétricos empresariais registados na UE foram feitos na Europa e “essa proporção aumentará ainda mais se, como proposto, apenas elétricos produzidos na UE forem elegíveis para apoios financeiros”.
“A lei das frotas da UE é a arma secreta da Europa para acelerar a produção automóvel interna. Com elétricos made in UE a serem já a escolha preferida dos compradores empresariais quando se tornam elétricos, as metas das frotas apoiarão os fabricantes de carros europeus e a criação de empregos”, argumenta Sofia Grande y Rodriguez.









