Onze organizações da sociedade civil pediram ao Governo políticas públicas mais justas, coerentes e “alinhadas com a sustentabilidade ambiental e a justiça social”, alertando para o “impacto desproporcional” das crises climáticas nas populações mais vulneráveis.
As organizações subscreveram um manifesto em forma de carta aberta no qual expressam preocupações quanto aos impactos ambientais e na sociedade de casos como a situação de mau tempo das últimas semanas.
Com o agravamento das alterações climáticas e mais riscos ambientais, são as populações vulneráveis quem mais sofre, dizem as organizações, para as quais os atuais modelos de produção e consumo, as opções energéticas e a gestão dos recursos naturais “continuam a aprofundar desigualdades sociais, económicas e territoriais”.
Por isso as organizações defendem que a ação climática deve integrar de forma coerente as dimensões ambiental, social e económica do desenvolvimento sustentável, “promovendo uma transição rápida e socialmente justa, baseada na solidariedade e no apoio efetivo aos países e comunidades com menor capacidade de resposta”.
E consideram prioritária a proteção dos solos, porque são essenciais à produção alimentar, biodiversidade e resiliência climática, lembrando que a degradação agrava a desertificação, a erosão e a insegurança alimentar.
As 11 organizações destacam ainda a necessidade de integrar a igualdade de género nas políticas ambientais, agrícolas e climáticas, e a necessidade do reforço da Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania Global (EDCG).
Entre outras recomendações, o manifesto, que vai ser publicado no sábado, sugere o reforço das políticas de adaptação às alterações climáticas centradas na proteção das populações mais vulneráveis, a promoção de sistemas alimentares justos e sustentáveis, a garantia da participação efetiva da sociedade civil nas políticas públicas, e o reforço do envolvimento dos jovens nos processos de tomada de decisão.
O manifesto considera necessário “reforçar políticas de adaptação e mitigação centradas na proteção das populações mais vulneráveis, através de estratégias integradas de prevenção de riscos, resposta a catástrofes e soluções baseadas na natureza, assegurando a salvaguarda da vida, da saúde, dos meios de subsistência e dos direitos humanos”.
O documento é subscrito pelo Instituto Marquês de Valle Flôr, Fundação Fé e Cooperação, Oikos cooperação e desenvolvimento, Rosto Solidário, Vida, ADRA, Helpo, Par, Associação Transmontana pelo Desenvolvimento, ONGD Plataforma Portuguesa e Animar.









