Estas “alforrecas” andam pelas águas portuguesas. Será que sabe identificá-las?



O 6º Encontro GelAvista realizou-se nos dias 11 e 12 de outubro, em formato híbrido. O GelAvista é um programa do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que monitoriza os organismos gelatinosos em todo o país, e que aproveita este evento para disseminar os resultados de um ano de trabalho, bem como para divulgar novas informações ou estudos correntes acerca destas espécies.

No dia 12 de outubro realizou-se o Workshop “Identificação dos gelatinosos mais comuns em Portugal”, conduzido por Antonina dos Santos, com o apoio de Rita Pires.

A Green Savers esteve presente e dá-lhe a conhecer algumas das diferenças que existem entre estes animais, que se distinguem nas suas características morfológicas, para que na próxima ida à praia, ou à beira-rio, possa distinguir a sua presença. Pode ainda juntar-se à equipa de observadores da App GelAvista, que regista as várias ocorrências de que são testemunha ao longo do ano.

Entre as espécies de cnidários mais comuns de ser observados, também conhecidos em Portugal como “alforrecas”, estão a Caravela-portuguesa (Physalia physalis), Veleiro (Velella velella), Medusa-do-tejo (Catostylus tagi), Água-viva (Pelagia noctiluca), Medusa-tambor (Rhizostoma luteum), Medusa-compasso (Chrysoara hysosecella), Medusa-da-lua (Aurelia aurita) e Medusa-ovo-estrelado (Phacellophora camtschatica).

Caravela-portuguesa – É uma colónia de organismos, mais propriamente de pólipos, que dão origem à espécie. Tem uma cor azul, com tons rosa e roxos, e tem um pneumatóforo em formato de balão, que a permite para navegar à superfície – pertence assim à classe Hydrozoa. Os tentáculos são longos, podendo variar de 30 centímetros a 20 metros. Tem um poder muito urticante.

Veleiro – Pertence igualmente à classe Hydrozoa, tem um pneumatóforo em formato de triângulo, idêntico a uma vela, que a permite flutuar à superfície. Tem uma cor púrpura, azulada ou esverdeada/castanha nos indivíduos maduros. Os seus tentáculos são curtos e mede em média 7 centímetros. Tem um poder pouco urticante.

Medusa-do-tejo – É a mais comum no Continente. Tem uma cor creme, acastanhada e branca, as gónadas são em forma de cruz, idêntico a um sinal de somar, que podem ser vistas de cima. É composta por 8 braços orais volumosos. Tem um poder pouco urticante.

Água-viva – De cor rosa e castanho claro, com verrugas castanho-avermelhadas, idênticas nos seus 4 braços orais. Tem 8 tentáculos finos e mede 5 a 10 centímetros de diâmetro. Tem um poder urticante.

Medusa-tambor – Pertence à classe Scyphozoa, pelo que não navega à superfície, mas sim na coluna da água. As gónadas têm um formato de X, tem uma espécie de pontilado pequeno na campânula (a “cabeça” da medusa), tem 8 braços orais e os seus tentáculos são longos de cor castanha na extremidade, podendo chegar aos 60 centímetros. Tem um poder pouco urticante.

Medusa-compasso – Integra também a classe Scyphozoa, por isso nada na coluna da água. As suas bandas radiais castanhas em formato de “V” na campânula de cor branco-amarelada dão lhe uma grande distinção de todas as outras meduas. Tem 24 tentáculos e 4 braços orais franzidos. Tem entre 15 a 25 centímetros de diâmetro. Tem um poder urticante.

Medusa-da-lua – Tem uma cor transparente, mas as suas gónadas têm uma cor rosada. Os tentáculos são finos e curtos, e os 4 braços orais são igualmente pequenos, porém, volumosos. Mede 40 centímetros de diâmetro e tem um poder urticante.

Medusa-ovo-estrelado – Tem uma cor amarela no centro e branco opaco ao redor, Os tentáculos são longos e finos e têm um tamanho 1,5x o raio da sua campânula. Os seus braços orais são em forma de cortina. Tem um poder urticante. Apesar de ser rara em Portugal, é possível avistá-la principalmente nos Açores e na Madeira.

É importante ressalvar que, caso veja algum deste organismos gelatinosos arrojados na areia, não deve tocar-lhes – as suas células urticantes continuam ativas, ainda que o animal já esteja morto. As recomendações dadas pela profissional passam por sinalizar e informar a situação aos nadadores salvadores e, caso seja necessário, remover a espécie para o lixo orgânico, não para o lixo comum. De qualquer forma, a melhor hipótese é não interferir com os ecossistemas e deixar a medusa decompor-se naturalmente, até porque posteriormente há muitos animais que aproveitam para se alimentar – desde aves, a peixes.

Conheça aqui as oito espécies mencionadas:

Saiba mais sobre a sua ocorrência no ano de 2021 no nosso artigo.



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