Todos os anos centenas de milhares de morcegos morrem por colisões com turbinas eólicas nos Estados Unidos da América (EUA), mas quase 80% das fatalidades são representadas por apenas três espécies migradoras: Lasiurus cinereus, Lasiurus borealis e Lasionycteris noctivagans.
De acordo com uma investigação publicada esta semana na revista ‘Ecology Letters’, as duas primeiras espécies podem estar especialmente vulneráveis a colisões devido aos seus “padrões migratórios invulgares”.
No outono, os morcegos Lasiurus cinereus e Lasiurus borealis deslocam-se em longas viagens, tal como tantas outras espécies. No entanto, não seguem uma rota norte-sul direta. Ao invés, voam tanto para latitudes mais elevadas como para latitudes menos elevadas, dispersando-se de forma errática. Os cientistas acreditam que esse comportamento migratório aumenta a probabilidade de os mamíferos alados se cruzarem com turbinas eólicas e de coliderem com elas.
Por isso, à medida que o mundo caminha em direção à transição energética, o perigo para os morcegos migradores continuará a aumentar.
“Chegámos a um ponto crítico na proteção destas espécies de morcegos”, diz, citada em comunicado, Caitlin Campbell, da organização Bat Conservation International e primeira autora do estudo.
“A relação entre a migração dos morcegos e as fatalidades associadas a instalações eólicas tem sido difícil de perceber. Esta investigação revela um aspeto até agora invisível dos seus padrões de migração e aproxima-nos da compreensão sobre como mitigar esta ameaça à sua conservação”, explica a investigadora.
A equipa, composta também por cientistas das universidades de Maryland e da Flórida, tentou perceber para onde os morcegos destas três espécies migram, através da análise de marcadores químicos na sua pelagem. Quando os animais comem e bebem, o seu pêlo, tal como o dos humanos, retém isótopos estáveis característicos do ambiente onde essas atividades acontecem, uma espécie de “impressão digital ambiental”. Dessa forma, o pêlo dos animais permite saber por onde andaram.
“Compreender como os animais se movem é essencial para protegê-los, especialmente quando estruturas humanas, como turbinas eólicas, estão a transformar a paisagem”, afirma a coautora Hannah Vander Zanden.
“Este estudo ajudou-nos a perceber o mistério do porquê de certas espécies de morcegos estarem mais vulneráveis ao risco de colisão com turbinas eólicas durante o período da migração outonal”, aponta.
Com o fim do verão, estes morcegos viajam para norte antes de, por fim, se deslocarem para sul, onde passarão os meses mais frios do ano. Os cientistas dizem que se trata de um comportamento migratório invulgar, cujas razões são ainda desconhecidas, mas avisam que esses “desvios” para latitudes mais elevadas colocam-nos em maior risco de colisão com turbinas eólicas.
“À medida que crescem as energias renováveis, também aumenta a urgência de proteger a vida selvagem vulnerável. Compreender a migração dos morcegos é um passo vital para soluções energéticas limpas mais seguras”, escreve a Bat Conservation International na rede social X.
As renewable energy grows, so does the urgency to protect vulnerable wildlife. Understanding bat migration is a vital step toward safer clean energy solutions.
— Bat Conservation International (@BatConIntl) September 9, 2025









