Pelo Direito do Ambiente e o dever de cada um de nós

Por Débora Sá Miranda
Zero Waste Lab

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade.”

Na perspectiva de que Direito demanda “dever”, falar em Direitos Humanos requer pensarmos nos deveres que isso implica para alcançá-los. Além disso, é preciso ampliar a visão dos Direitos que nos dizem respeito diretamente, como direito à liberdade, dignidade, e pensar no Direito de tudo aquilo que é essencial à própria Vida; o direito da Natureza e o nosso dever em protegê-la, fomentando assim liberdade, dignidade e justiça a tudo e todos.

Ao longo da história da humanidade muitas atrocidades foram cometidas consciente e inconscientemente. Porém, em alguns lugares com maior grau de desenvolvimento, conquistas importantes foram alcançadas. Foi portanto com o intuito de promover essas conquistas no mundo que a ONU proclamou em 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).

A  declaração tem 30 premissas para um ideal de sociedade e apesar de todas as “injustiças” que vemos diariamente nos jornais e às vezes até à porta de casa, foi sem dúvida um avanço e continua a ser absolutamente necessária, já que muitos indivíduos ainda não têm conhecimento ou acesso a todos ou parte dos direitos declarados.

Por outro lado, é graças a essa evolução de paradigmas que muitos de nós podemos usufruir em pleno da “vida”, ser responsáveis e contribuir ativamente para que cada pessoa possa viver livre e dignamente, tal como é referido no primeiro artigo da DUDH.

Encarar os deveres de forma consciente, ativa e positiva, é a postura ideal para que possamos lutar por um mundo melhor. Acreditemos num futuro mais justo, com uma sociedade organizada em prol de objetivos comuns e um bem estar geral.

Este bem estar geral, depende dos recursos naturais disponíveis no nosso planeta e da forma como nos relacionamos com cada um deles. Não existe uma sociedade justa, digna, sem antes pensarmos na relação que estabelecemos com a Natureza, na sua conservação e no direito inerente à existência de gerações futuras.

Cometemos muitos erros no passado. Focamos-nos numa sociedade de caráter económico, que prioriza um modelo de consumo e descarte fáceis, gerando um problema inédito até então na nossa história: O LIXO.

O problema dos resíduos causa gravíssimos problemas em toda a cadeia natural. A complexidade do assunto exige mudanças sistémicas e, porque não, radicais. Os oceanos, mares, rios e portanto todas as formas de água e seu ciclo de vida, estão em agonia; poluição dos oceanos com plásticos, resíduos tóxicos despejados diretamente nos rios, lençóis freáticos contaminados, matas e florestas desmatadas, produção industrial intensiva, tudo isto contribui para as alterações climáticas, o que equivale dizer, mudanças nefastas em todas as formas de vida.

Grande parte da população julga que isto é um problema para os governos, as grandes empresas e os cientistas resolverem, porém é sobretudo de quem elege governantes e de quem “patrocina” as empresas com as suas preferências de consumo.

Há quem ainda esteja à margem de poder escolher o que e como consumir. Contudo, a necessidade de agir recai em quem tem este privilégio.. Devemos estar conscientes que cada ação gera uma consequência, mesmo tão pequena quanto deitar um cotonete (de plástico) na sanita, atirar uma beata para a rua ou usar uma palhinha (e qualquer objeto descartável) sem necessidade.

Todos nós somos responsáveis por este problema e devemos em conjunto enfrentar o desafio. Não se trata aqui de uma opção, será necessário capacidade de adaptação, mudança de comportamento, de pensamento, abrir mão de certos excessos, e principalmente estar consciente, ser responsável e sentir empatia.

É urgente agirmos!

Habitamos todos a mesma casa, e uma sociedade sustentável requer que cada indivíduo faça a sua parte. Todos, cada um à sua maneira e escala, podemos fazer a diferença.

Seja agora a mudança que quer ver no Mundo.